A Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OERN) participou na T.I.M.E.S. ’26, na Universidade do Minho, numa mesa-redonda dedicada ao impacto da Inteligência Artificial (IA) no futuro das profissões e da Engenharia.
A OERN esteve representada por Ricardo Pinto, Coordenador do Grupo de Trabalho de Engenharia e Gestão Industrial da OERN que é também Docente Convidado da Universidade Politécnica do Cávado e do Ave (UPCA) e Coordenador de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico do Grupo Salvador Caetano.
Sob o tema “E se o futuro fosse agora?”, o debate centrou-se nas mudanças que a IA está a introduzir no trabalho dos engenheiros. Para Ricardo Pinto, a questão não se limita à substituição de profissionais, mas passa pela alteração de tarefas, processos e competências. “O verdadeiro risco não é a IA substituir pessoas. É uma pessoa que sabe utilizar IA substituir uma pessoa que não sabe”, afirmou.
Na aplicação da Inteligência Artificial às organizações, Ricardo Pinto defendeu que a tecnologia deve responder a problemas concretos e não ser encarada como uma solução isolada. “Se colocarmos IA num processo mau, podemos simplesmente conseguir um processo mau mais rápido”, alertou.
A formação dos futuros engenheiros foi outro dos temas abordados. Além de uma base técnica de Engenharia, o responsável apontou o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas, a literacia de dados e a aprendizagem contínua como competências necessárias num mercado de trabalho em transformação. “O curso dá-vos ferramentas, não uma coroa. A confiança constrói-se, não se recebe”, disse.
O debate abordou ainda o papel do engenheiro perante sistemas capazes de analisar informação, identificar padrões e apoiar decisões. Ricardo Pinto salientou que a avaliação do contexto e a responsabilidade pela decisão continuam a exigir intervenção profissional. “A tecnologia pode ajudar a identificar onde procurar. Cabe ao engenheiro ir ao terreno, observar, questionar e compreender.”
A participação da OERN na T.I.M.E.S. ’26 levou ao debate a perspetiva da profissão, da indústria e do ensino superior sobre as mudanças que a Inteligência Artificial está a introduzir na Engenharia e na preparação dos futuros profissionais.