Energia, segurança e resiliência. Três temas incontornáveis num momento em que a crescente eletrificação da sociedade e a digitalização aumentam a dependência de redes e infraestruturas capazes de responder mesmo nos cenários mais exigentes.
Foi neste contexto que o Museu do Carro Elétrico, no Porto, recebeu, a 16 de outubro, o 3.º Encontro de Engenheiros Eletrotécnicos, uma organização do Grupo de Trabalho de Engenharia Eletrotécnica da Ordem dos Engenheiros – Região Norte.
O encontro reuniu especialistas provenientes da Engenharia, energia, indústria, academia, defesa e comunicações críticas, cruzando diferentes perspetivas sobre o presente e o futuro do setor.
O programa começou com visitas à Central Termoelétrica de Massarelos e à coleção histórica do Museu do Carro Elétrico.
Sim. Para soar verdadeiramente a notícia, retiraria expressões mais institucionais e faria a abertura fluir como parte da narrativa do encontro. Também evitaria duas citações longas seguidas. A de Bento Aires fica em destaque e a do presidente da STCP entra de forma mais discreta.
A sessão de abertura reuniu Bento Aires, presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Engenheiros – Região Norte, Mário de Almeida, coordenador do Grupo de Trabalho de Engenharia Eletrotécnica – Norte, e o presidente do Conselho de Administração da STCP, entidade que acolheu o encontro no Museu do Carro Elétrico.



Na intervenção de abertura, Bento Aires chamou a atenção para a importância de trazer para o debate os grandes desafios que acompanham a transição energética e tecnológica, num momento em que energia, segurança e resiliência das infraestruturas assumem uma importância crescente para a economia e para a sociedade. “A transição energética, a segurança e a resiliência das nossas infraestruturas colocam-nos desafios que exigem conhecimento, preparação e debate. É precisamente para isso que servem encontros como este: juntar diferentes experiências e perspetivas para anteciparmos hoje os desafios da Engenharia de amanhã.”
Também Mário de Almeida, enquanto coordenador do Grupo de Trabalho de Engenharia Eletrotécnica – Norte, marcou presença neste primeiro momento de um encontro concebido para aproximar diferentes áreas e experiências da Engenharia.
Já o presidente do Conselho de Administração da STCP, Luís Osório, aproveitou a história do próprio Museu do Carro Elétrico para estabelecer uma ligação entre o passado e os desafios atuais da mobilidade e da energia. Recordou que o Porto foi pioneiro na Península Ibérica na introdução do carro elétrico, em 1895, e defendeu a necessidade de manter essa capacidade de antecipar a transformação.
A propósito dos desafios atuais, deixou uma mensagem clara: “A transição energética exige conhecimento, inovação e capacidade para transformar desafios cada vez mais complexos em soluções concretas e seguras.”
O responsável destacou ainda o papel dos engenheiros na transformação da mobilidade e das cidades, defendendo uma visão que articule mobilidade, segurança, transição energética e modernização das infraestruturas.

Segurança, redes e data centers abrem a discussão
O primeiro painel,“Segurança, Redes e Data Centers”, trouxe para o centro da discussão uma preocupação incontornável: como garantir a segurança e a capacidade de resposta de infraestruturas das quais depende uma sociedade cada vez mais digital e eletrificada.
Entre os participantes esteve o Tenente-General Paulo Viegas Nunes, presidente da SIRESP, que abordou os desafios das comunicações de emergência e segurança e o estado atual da rede.
A dimensão do sistema ajuda a perceber a importância do tema. Segundo a SIRESP, a sua rede de comunicações é exclusiva do Estado Português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em situações de emergência e segurança. Conta com mais de 40 mil utilizadores e suporta anualmente mais de 35 milhões de chamadas.
A participação aconteceu também num momento particularmente relevante para a infraestrutura. A rede encontra-se num processo de modernização que já permitiu instalar cerca de 20 novas estações base, reforçar a autonomia energética de cerca de 550 estações para mais de 24 horas em caso de falha elétrica, adquirir quatro novas estações móveis pesadas e instalar circuitos redundantes via satélite em cerca de 60 estações base nos Açores e na Madeira.
O tema enquadrou-se, assim, diretamente numa das grandes questões que atravessou o encontro: como preparar infraestruturas essenciais para continuarem a funcionar perante falhas de energia, situações de emergência ou outros cenários críticos.
Seguiu-se a apresentação “Soluções completas para a Distribuição de energia”, por Bruno Martins, Project Sales Engineer da Hager.


A transformação do setor energético esteve depois no centro do painel “Energia Elétrica e a sua Evolução no Mundo”, reunindo diferentes perspetivas sobre os desafios impostos pela transição energética, pela eletrificação e pela crescente incorporação de fontes renováveis.
Participaram Luís Mira Amaral, coordenador do Observatório da Indústria, Inovação e Energia da SEDES; Gilberto Mariz, diretor de Serviços de Energia Elétrica da DGEG; Ana Soares, professora no DEEC-UC e investigadora no INESC Coimbra; e Carlos Rodrigues, coordenador de O&M Eólico e Fotovoltaico na Iberdrola.
A moderação esteve a cargo de Teresa Nogueira, do Conselho de Colégio de Especialidade de Engenharia Eletrotécnica da Ordem dos Engenheiros, e Anabela Ribeiro, do Grupo de Trabalho de Engenharia Eletrotécnica – Norte.

Da iluminação à gestão ativa de energia
A sessão da tarde foi aberta por José Manuel Freitas, secretário do Conselho Diretivo da Ordem dos Engenheiros – Região Norte.

Rui Mota, diretor comercial da LTX, apresentou “Iluminação do Projeto à Obra – Legislação, Responsabilidades e Ética”, trazendo para a discussão as responsabilidades técnicas, legais e profissionais associadas aos projetos de iluminação.
Já Ricardo Estima, Solution Architect da Schneider Electric, apresentou “Gestão ativa de energia: eficiência e flexibilidade nas organizações”, centrando a intervenção nas novas exigências colocadas às organizações ao nível da utilização e gestão eficiente da energia.


A relação entre Engenharia, defesa, segurança e capacidade de resposta esteve em destaque no painel “Engenharia, Defesa e Infraestruturas Críticas”.
O debate contou com Filipe Arnaut Moreira, Oficial General do Exército, conferencista e comentador nas áreas da Geopolítica e Geoestratégia e membro do Conselho Estratégico da Agência Espacial Portuguesa; Pedro Carreira, diretor-adjunto de Gestão de Ativos e Planeamento de Redes da E-REDES; Fernando Martins, chefe da Unidade de Controlo e Prevenção da ENSE; e Matos Fernandes, presidente do Conselho do Colégio de Especialidade de Engenharia Eletrotécnica da Ordem dos Engenheiros.
A moderação ficou a cargo de Mário Almeida e Anabela Ribeiro, do Grupo de Trabalho de Engenharia Eletrotécnica – Norte.

“Os Eleitos”: reconhecer quem deixou marca na Engenharia
O encontro não olhou apenas para os desafios que estão pela frente. No momento “Os Eleitos”, foram distinguidos, na categoria Engenheiros, José Manuel Freitas, Gil Maltez e Fernando Jorge Almeida.
Na categoria Empreendedores, foram reconhecidos Bruno Azevedo, CEO da AddVolt; Rodrigo Pires, European Sales Manager da AddVolt; Miguel Sousa, Operations & EHS Manager da AddVolt; Ricardo Soares, Director of Engineering da AddVolt; Agostinho Santos, fundador da ROBPROG Robótica e Automação; Nuno Macedo Silva, presidente do Conselho de Administração do Grupo RAR; e Pedro Bessa Babo, fundador da MAIS Automação.
Na categoria Professores e Investigadores, o reconhecimento foi dirigido a Sérgio Augusto P. Leitão, docente na UTAD e investigador no INESC TEC, e Teresa Alexandra Nogueira, docente no ISEP e investigadora no CIIET.
O momento procurou, assim, valorizar diferentes formas de fazer e construir Engenharia, do exercício da profissão à investigação, passando pelo ensino, inovação e empreendedorismo.


Na homenagem in memoriam foram evocados Franklin Guerra Pereira, antigo presidente do Conselho Regional do Porto e membro do Conselho Geral; Álvaro Lopes Teodoro, antigo diretor técnico da SELF-RIO, no Grupo Sonae; e Hélder Duarte Leite, antigo docente e investigador do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FEUP. Em

Foi uma homenagem a três percursos ligados à Engenharia, ao conhecimento e à profissão, num encontro que quis projetar o futuro sem esquecer quem ajudou a construir o caminho.
Entre o debate sobre o que está a mudar e o reconhecimento de quem deixou marca no setor, o 3.º Encontro de Engenheiros Eletrotécnicos mostrou uma profissão chamada a desempenhar um papel cada vez mais relevante. Energia, segurança, digitalização, comunicações de emergência e proteção das infraestruturas críticas são hoje desafios técnicos, mas também estratégicos para o país.






































































































































































































