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Grandes Entrevistas de Engenharia com… Luisa Freitas dos Santos

Texto: Catarina Soutinho | Design: Melissa Costa

Recebeu este ano das mãos do Rei Carlos III de Inglaterra uma das mais prestigiadas distinções do Reino Unido, o título de Commander of the Order of the British Empire (CBE), reconhecimento reservado a percursos de excelência e raramente atribuído a engenheiras.

Mas a história de Luisa Freitas dos Santos começou muito antes do Castelo de Windsor. Teve início nas salas de aula da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, e levou-a até à liderança de uma das maiores farmacêuticas do mundo, com responsabilidade direta sobre o desenvolvimento de medicamentos e vacinas que chegam a milhões de pessoas em todo o mundo. É Senior Vice President, Global Head Clinical Manufacturing and Supply Chain na GSKliderando atualmente cerca de 1000 profissionais em 10 localizações e 5 países.

Nesta entrevista exclusiva, a engenheira portuguesa revisita um percurso marcado pela inovação e pela capacidade de transformar ciência em soluções com impacto real na vida das pessoas. E deixa uma mensagem particularmente relevante para as novas gerações: ""Num mundo cada vez mais tecnológico, as Ordens têm a responsabilidade de garantir que a formação e a ética profissional evoluem ao mesmo ritmo da inovação."

PERFFIL

Nome: Luisa Freitas dos Santos

Formação Académica:

- Doutorada em Engenharia Química pelo Imperial College London, UK;

- Licenciatura em Engenharia pela Escola Superior Biotecnologia, Universidade Católica Portuguesa;

- Accelerated Development Business Program pela University of Chicago, Booth School of Business

Função Atual: Senior Vice President, Global Head Clinical Manufacturing and Supply Chain

Empresa Atual: GSK

Empresas Anteriores: Imperial College, MET Ltd, Smithkline Beecham

Comecemos pelo mais recente. Este ano (2026) recebeu das mãos do Rei Carlos III a distinção de Commander of the Order of the British Empire (CBE), uma distinção raramente atribuída a engenheiras. O que representou esse reconhecimento para si e que mensagem gostaria que os/as jovens engenheiros/as portugueses retirassem do percurso que a levou até esse momento?

Foi uma grande surpresa quando recebi a notícia, não estava de forma nenhuma à espera desta distinção e reconhecimento do meu trabalho na área da engenharia farmacêutica. Recebi-a no castelo de Windsor em junho, entregue pelo Rei Carlos III, numa cerimónia memorável com a minha família presente. Recebi-a com humildade e também com um sentido profundo de responsabilidade. É verdade que ainda são poucas as mulheres engenheiras a receber esta distinção, por isso sinto um 'peso simbólico' - não é um reconhecimento só para mim, mas para todas as colegas que, como eu, decidiram seguir carreiras científicas e técnicas, e para além disso fora do seu país de origem. Acima de tudo este reconhecimento representa um percurso de 3 décadas de trabalho na área da engenharia, ciência e inovação farmacêutica ao lado de equipas extraordinárias, por isso considero que é muito mais do que uma conquista individual.

Interessante notar que venho de uma família sem tradição de engenharia - a minha mãe é formada em ciências sociais e políticas e o meu pai em economia. A minha ligação à ciência nasceu cedo do interesse pela biologia, matemática e físico-química na escola secundária e evoluiu a partir daí, de forma muito orgânica e não pré-planeada. A mensagem que gostaria de deixar aos jovens engenheiros e engenheiras portugueses é por isso simples: não é necessário ter um plano ultra detalhado e linear de percurso de carreira - o mais importante é manter a curiosidade científica, cultivar o espírito de inovação, aceitar a incerteza como parte do percurso, e nunca perder o rigor técnico que a nossa formação de engenharia nos dá.

"O meu percurso desde estudante de engenharia no Porto até hoje passou por muitas etapas diferentes, começou por um estágio na Unilever, na Holanda ainda durante a minha licenciatura (Universidade Católica Portuguesa)"

O meu percurso desde estudante de engenharia no Porto até hoje passou por muitas etapas diferentes, começou por um estágio na Unilever, na Holanda ainda durante a minha licenciatura, obtive uma bolsa de doutoramento em engenharia química no Imperial College London, fiz um pós-doutoramento a liderar um projeto europeu, fui uma das co-fundadoras de uma start-up com base na investigação e patentes obtidas durante o meu doutoramento, concorri a um cargo de R&D numa multinacional farmacêutica, passei por uma fusão empresarial e vários cargos, sempre em R&D, até liderar uma clinical supply chain complexa durante uma pandemia mundial - nada disto estava planeado quando saí da Universidade Católica Portuguesa, em 1991!

A sua carreira levou-a da Universidade Católica, no Porto, até à liderança global de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo. Olhando para trás, como apresentaria o seu percurso, para quem ainda não a conhece?

Estudei Engenharia Alimentar (agora Bioprocess Engineering) na Escola Superior de Biotecnologia na Universidade Católica no Porto - na altura era um curso bastante recente e inovador - a licenciatura de cinco anos incluía um ano de experiência industrial. Foi essa possibilidade de estagiar no estrangeiro que me atraíram para o curso da ESB. No meu caso tive a oportunidade de estagiar na Unilever, perto de Roterdão, na Holanda, a trabalhar em R&D com um projeto de formulação de sobremesas para regiões sem refrigeração fiável. Uma experiência valiosa onde vi pela primeira vez investigação e desenvolvimento aplicados a new product development e a escala industrial - e para além disso permitiu-me ver como fantástico era trabalhar em ambientes multiculturais.

Segui depois para o Imperial College London, onde fiz doutoramento e pós-doutoramento em Engenharia Química, com foco no 'design and modelling of novel bioreactors for environmental applications' especificamente para tratamento de compostos orgânicos voláteis. Ainda nessa fase, em 1995 fui uma das co-fundadoras de uma spin-out — a Membrane Extraction Technology (MET Ltd) - baseada na minha área de investigação de doutoramento, uma experiência de 'enterpreneurship' extraordinária, que incluiu a instalação de uma unidade piloto numa fábrica da ICI, perto de Blackpool, no norte da Inglaterra.

“Não é necessário ter um plano ultra detalhado e linear de percurso de carreira - o mais importante é manter a curiosidade científica, aceitar a incerteza como parte do percurso, e nunca perder o rigor técnico que a nossa formação de engenharia nos dá."

Em 1997 entrei na empresa farmacêutica SmithKline Beecham, mais tarde GSK, após a fusão com a Glaxo Wellcome em 2001. Nos últimos quase 30 anos na GSK passei por muitas áreas diferentes de investigação e desenvolvimento (R&D) de novos medicamentos e vacinas - passando por Engenharia de Processos, Ciências Analíticas e Engenharia de Produto. Desde 2015 sou responsável pela Global Clinical Manufacturing and Supply Chain, liderando atualmente cerca de 1000 profissionais em 10 localizações e 5 países. Eu diria que tem sido um percurso de continuidade dentro de mudança constante, mas continuo com o mesmo entusiasmo de traduzir ciência fundamental em algo que pode ajudar a melhorar a saúde ou prevenir doenças de milhões de pessoas no mundo.

Como foi a transição de jovem engenheira portuguesa para uma carreira internacional no Reino Unido? O que mais a surpreendeu nessa mudança?

A minha primeira experiência de trabalhar no estrangeiro começou ainda antes do Reino Unido, na Holanda, durante o estágio na Unilever - foi aí que ganhei confiança para viver e trabalhar fora de Portugal, de estar rodeada de colegas de variadíssimas nacionalidades, e comunicar em inglês no dia a dia. E claro que tudo isto foi antes do email e telemóveis, a comunicação com os meus pais era um breve telefonema - para os meus filhos isto é verdadeiramente impossível de imaginar! Mas preparou-me para o passo seguinte: quando obtive a bolsa de doutoramento o meu orientador em Portugal sugeriu os Estados Unidos. Optei pelo Reino Unido - fui atraída por Londres, pela sua vida cultural, pela energia da cidade maior da Europa e acima de tudo pelo Imperial College London - uma das universidades de engenharia mais conhecidas no mundo – acho que foi a escolha certa para mim!

O que mais me surpreendeu quando cheguei ao Imperial College foi a diversidade científica e cultural com que me cruzei desde o primeiro dia - colegas de dezenas de nacionalidades, um debate científico muito exigente, e a sensação, comum a muitas engenheiras da minha geração, de ser frequentemente uma das poucas mulheres presentes. A percentagem de alunas de engenharia no Imperial College nos anos 90 era muito inferior à da ESB. E depois do meu doutoramento já como diretora técnica da MET cheguei a ser a única engenheira numa das fábricas da ICI com centenas de técnicos e operadores, todos homens. O que poderia ter sido uma experiência bastante negativa só serviu para reforçar ainda mais a minha determinação de ver algo diferente na profissão. E também me apercebi que a minha preparação obtida durante a licenciatura era sólida, e a componente prática que a formação em Portugal me tinha proporcionado era sem dúvida uma mais valia.

Hoje lidera organizações complexas e equipas globais. Quais foram as competências que ninguém lhe ensinou na universidade e que se revelaram fundamentais para chegar a estas funções?

A universidade ensina-nos a resolver problemas técnicos com rigor - e isso é insubstituível. Mas há competências que só se aprendem na prática, muitas vezes através de algumas falhas ou de projetos com menos sucesso. Ainda recordo, do meu estágio na Unilever, uma experiência de 'scale up' que correu mal: em vez de obter um líquido límpido no reator, transformei a superfície da unidade piloto numa camada pegajosa de espuma e gelatina, por não ter feito um bom trabalho no 'scale up' da formulação do novo produto. Tornei-me instantaneamente "popular" junto de todos os técnicos! Mas foi uma lição valiosa sobre a importância de fazer mais trabalho de modelização à escala laboratorial, e de ouvir com atenção os colegas mais experientes, antes de avançar para escalas maiores - uma lição que utilizei para o resto da minha carreira.

"A Engenharia, quando combinada com ciência farmacêutica, medicina clínica e, mais recentemente, data sciences, tem um poder de impacto extraordinário."

Mais tarde, teria de aprender competências que a universidade não ensina: liderar equipas de dezenas e depois centenas de engenheiros, cientistas e técnicos altamente especializados em vários países diferentes, com culturas e formas de trabalhar distintas; liderar em situações de crise como durante a pandemia de covid19. Para me preparar melhor para estes desafios sempre reconheci a importância de investir em formação executiva e contínua, por exemplo na Chicago Booth School of Business e no IMD, na Suíça, é muito importante continuarmos a desenvolver competências ao longo da carreira. 

A Engenharia é frequentemente associada à capacidade de resolver problemas, a sua formação nesta área foi essencial para o seu sucesso? Porquê?

Sim, sem dúvida - diria que foi a base de tudo. Os engenheiros gostam de desenvolver novos produtos, de inovar, de encontrar soluções, de resolver pequenos e grandes problemas, de traduzir algo que funciona à escala do laboratório em algo disponível e útil para todos. Essa mentalidade acompanhou-me em todas as fases da minha carreira. O que também aprendi é que a Engenharia, quando combinada com ciência farmacêutica, medicina clínica e, mais recentemente, data sciences, tem um poder de impacto extraordinário. Foi essa combinação interdisciplinar - e não a engenharia isolada - que me permitiu contribuir para o desenvolvimento e aprovação de mais de 28 novos medicamentos e vacinas em áreas tão diferentes como doenças respiratórias, infeciosas e oncologia.

O seu trabalho contribuiu para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas que impactam milhões de pessoas. Em que momentos sente mais claramente o propósito do que faz?

Sinto esse propósito vividamente em momentos muito concretos e simples: quando vejo alguém a usar um inalador para asma da GSK, sinto um orgulho enorme por ter sido uma das muitas pessoas de uma equipa multidisciplinar fantástica que tornou esse novo medicamento possível; quando alguém da minha família toma a vacina da gripe, do RSV ou da meningite; sinto-o também quando uma doente com cancro do endométrio tem acesso a um tratamento como o Jemperli, ou quando conseguimos manter o fornecimento ininterrupto de medicamentos a milhares de doentes em ensaios clínicos em mais de 60 países durante a pandemia de 2020/21. Acima de mais sinto esse propósito de forma muito pessoal quando falo com as equipas de engenheiros, cientistas e técnicos que, dia após dia, garantem que medicamentos e vacinas cheguem ao destino, com a qualidade que todos nós esperamos. É fácil às vezes, num cargo de liderança perder de vista o impacto humano diário do que fazemos, por isso procuro, manter-me próxima dessa realidade, e ter conversas frequentes com todas as equipas com quem trabalho.

"Foram engenheiros e cientistas, a trabalhar em conjunto, que levaram aos avanços feitos durante a pandemia, e que continuam hoje a desenvolver os novos tratamentos e as soluções preventivas que vão salvar vidas nas próximas décadas."

Existe algum projeto ou conquista profissional que recorde com especial orgulho? Porquê?

É muito difícil para mim escolher apenas um, mas destacaria a forma como a nossa equipa de clinical supply chain respondeu à pandemia de covid19: continuamos a trabalhar sem parar um dia, com fornecimento aos doentes em ensaios clínicos em mais de 60 países, ao mesmo tempo que colaboramos com outras empresas e instituições para desenvolver novos potenciais tratamentos para a Covid-19. Só passados 1 ou 2 anos após a pandemia é que verdadeiramente refleti no que foi possível atingir, com o empenho e esforço pessoal de milhares de colegas a trabalhar em equipa com um objetivo único, foi incrível!

Que características encontra com frequência nos engenheiros portugueses quando trabalha com eles em contextos internacionais?

Ao longo dos anos já encontrei vários engenheiros portugueses, em vários países e em diversos cargos quer na indústria como em universidades. Não sei se é possível generalizar, mas acho que os engenheiros portugueses que tenho encontrado tem uma formação técnica sólida, uma grande capacidade de adaptação a contextos novos, e uma forte ética de trabalho.

Portugal forma engenheiros altamente qualificados. O que acredita que fazemos particularmente bem, e como é vista a engenharia portuguesa fora de Portugal?

Apesar de já estar fora de Portugal desde 1991, acho que Portugal continua a formar engenheiros com uma base técnica e científica muito sólida. O modelo de cursos com forte componente prática para além da teórica é muito importante - prepara bem os estudantes para a realidade do trabalho em diversos sectores e contribui para a mobilidade internacional.

"Quem conseguir combinar uma especialização técnica com fluência nas tecnologias emergentes e aplicar uma sólida bússola ética terá um impacto verdadeiramente transformador."

Qual foi o melhor conselho que recebeu ao longo da vida? E qual foi o melhor conselho que ignorou?

'O melhor líder não é quem tem todas as respostas, mas é quem faz as melhores perguntas'. Este é sem dúvida um dos melhores conselhos, entre muitíssimos que recebi e que continuo a receber!

Quanto ao melhor conselho que ignorei foi o conselho do meu orientador académico em Portugal para ir fazer o doutoramento nos Estados Unidos. Optei pelo Reino Unido, atraída por Londres e pela sua vida cultural, essa decisão "contra a corrente" acabou por definir não só a minha carreira profissional, mas também as escolhas pessoais incluindo conhecer o meu marido, também engenheiro químico, e ter dois filhos fantásticos. Por vezes, correr um risco calculado e seguir a nossa própria intuição é mais valioso que alguns conselhos, ainda que bem-intencionados.

"Os engenheiros portugueses que tenho encontrado têm uma formação técnica sólida, uma grande capacidade de adaptação a contextos novos, e uma forte ética de trabalho."

A Inteligência Artificial e a biotecnologia prometem transformar profundamente a sociedade. Que oportunidades vê para a próxima geração de engenheiros?

Vejo oportunidades extraordinárias. Na minha própria área, usamos AI & ML para otimizar todas as fases do desenvolvimento de medicamentos e vacinas, para ajudar a desenvolver novas modalidades terapêuticas como oligonucleotides, ADC and AOCs, e para acelerar decisões que antes demoravam semanas e agora podem ser tomadas em minutos.

Para a próxima geração de engenheiros, isto significa que a fronteira entre engenharia, biologia, química e data sciences vai continuar a esbater-se. Quem conseguir combinar uma especialização técnica com fluência nas tecnologias emergentes e aplicar uma sólida bússola ética terá um impacto verdadeiramente transformador.

Que mensagem gostaria de deixar aos jovens engenheiros portugueses que sonham construir carreiras internacionais sem renunciar à sua identidade e às suas raízes?

É perfeitamente possível construir uma carreira internacional de sucesso sem nunca perder a ligação às nossas raízes. Ao longo destes anos no Reino Unido, a nossa família manteve sempre uma ligação forte a Portugal - e, no meu caso, também à Nova Zelândia, de onde é a família do meu marido - e sempre contamos com as frequentes viagens para manter viva essa ligação afetiva e cultural. Mantenho a nacionalidade, a língua e uma relação ativa com Portugal, continuo a ir ao Porto com muitíssima frequência. A nossa cultura, formação, os nossos valores, são na verdade, um dos maiores trunfos competitivos em qualquer lugar do mundo.

"Num mundo cada vez mais tecnológico, as Ordens têm a responsabilidade de garantir que a formação e a ética profissional evoluem ao mesmo ritmo da inovação."

Que papel deve a Ordem dos Engenheiros desempenhar para preparar as novas gerações para um mercado cada vez mais internacional, tecnológico e competitivo?

Não posso falar com conhecimento pessoal do trabalho que a Ordem dos Engenheiros faz em Portugal. Mas como Fellow da Institution of Chemical Engineers e da Royal Academy of Engineering, e membro do board da RAEng posso falar com experiência direta do papel fundamental que as Ordens têm a desempenhar como ponte entre a formação académica, a prática industrial e a realidade internacional cada vez mais competitiva que os todos os engenheiros vão encontrar.

Na minha opinião esse papel passa, entre outras coisas, por garantir que o reconhecimento profissional tenha visibilidade e equivalência internacional; por promover ativamente redes de mentoring e ligação entre engenheiros portugueses não só em Portugal mas também aqueles que estão espalhados pelo mundo; por promover e ajudar as novas gerações nas fases iniciais de carreira; e por acompanhar de forma proativa a evolução tecnológica - inteligência artificial, biotecnologia, energia e materiais alternativos, sustentabilidade - assegurando que a formação e a ética profissional dos nossos engenheiros acompanham essa evolução.

Acrescentaria ainda um ponto que me é particularmente caro: as Ordens podem e devem fazer mais trabalho de base, junto de escolas para mostrar o que é realmente ser engenheiro ou engenheira, com palestras e exemplos práticos de potenciais carreiras. Tenho feito isso ao longo da minha carreira, e uma das memórias mais engraçadas que guardo é de uma visita a uma escola secundária em que, no final, uma teenager confessou que tinha ficado impressionada com a minha visita - não com o que eu tinha dito sobre engenharia, mas com os meus sapatos. "Nunca pensei que uma engenheira se parecesse consigo", disse-me!

"Sim: há futuro onde há Engenheiros — e tenho muito orgulho em fazer parte desta comunidade!"

Na região Norte temos um claim que diz "Há futuro onde há Engenheiros". Concorda? 

Concordo profundamente. Ao longo da minha carreira, vi repetidamente como o futuro - seja na saúde, na sustentabilidade, nas novas tecnologias ou na resposta a crises globais — depende de engenheiros capazes de transformar ciência em soluções reais para indivíduos e sociedades. Foram engenheiros e cientistas, a trabalhar em conjunto, que levaram aos avanços feitos durante a pandemia, e que continuam hoje a desenvolver os novos tratamentos e as soluções preventivas que vão salvar vidas nas próximas décadas. Sim: há futuro onde há Engenheiros — e tenho muito orgulho em fazer parte desta comunidade!

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