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Entrevista à Águas do Porto: “A água de abastecimento público é segura e controlada diariamente”

“A água de abastecimento público é controlada diariamente desde a origem até à torneira do consumidor.” Esta e outras mensagens são partilhadas por Catarina Tuna, engenheira e Diretora de Exploração da Águas do Porto e Adelaide Rocha, Coordenadora do Laboratório da mesma empresa, que aceitaram dar uma entrevista sobre a qualidade da água do Porto em tempo de pandemia.

  Entre muitas outras responsabilidades, a Águas do Porto assegura a distribuição de água potável, a drenagem e tratamento de águas residuais de cerca de 158 mil clientes. Diariamente dezenas de equipas operam nas ruas do Porto para garantir que toda a atividade, inerente ao uso e tratamento da água, funcione corretamente. A forma de trabalhar em tempos de pandemia alterou-se, mas a qualidade da água que chega, todos os dias, às torneiras da cidade do Porto, permanece igual. Para isso há uma equipa de engenheiros e técnicos que continuam a trabalhar: “o papel dos engenheiros é ainda mais importante por que nos obriga a adaptarmo-nos e a reinventarmo-nos constantemente, por forma garantirmos serviços que são essenciais.     Em que medida os engenheiros continuam a ter no atual contexto um papel importante? A exploração de sistemas de distribuição de água, bem como de drenagem e tratamento de águas residuais são muito exigentes. Controlar diariamente os sistemas de forma contínua, gerindo equipas operacionais por forma a garantir que qualquer ocorrência é resolvida quase de imediato por forma garantir a continuidade do serviço prestado, seja de dia, seja de noite, é um trabalho de muita responsabilidade e que obriga a um espírito de missão. Este trabalho é de equipa e também os supervisores/encarregados têm um papel muito importante neste processo. Assim diria que nesta fase, o papel dos engenheiros é ainda mais importante por que nos obriga a adaptarmo-nos e a reinventarmo-nos constantemente, por forma garantirmos serviços que são essenciais e que não podem ser descurados e ao mesmo tempo protegendo as nossas equipas. O esforço é muito, mas, felizmente, contamos com técnicos espetaculares.   Há engenheiros no ativo neste momento no controlo da água? De que especialidades? Claro que sim. Na exploração do sistema de abastecimento de água, a Águas do Porto conta com a coordenação de um engenheiro civil – Flávio Oliveira, assessorado por uma equipa de engenheiros civis ou de ambiente – José Padilha, Susana Garcia, Helena Rodrigues, Sara Cunha e Joana Barros. Claro está que esta logística só seria possível com a presença do Supervisores do Abastecimento de Água – José Fortuna e Joaquim Paulo. No Laboratório, tanto a coordenadora Adelaide Rocha, como os técnicos Cristina Abrantes, Sandra Coelho e Augusto Castro, são engenheiros químicos. Não queria deixar de referir que também a drenagem e tratamento de águas residuais são igualmente muito importantes ser assegurados e também nesta área contamos com vários engenheiros civis, químicos e de ambiente que se encontram ao serviço.   Como decorre a operação da Águas do Porto, no atual contexto de pandemia? Neste momento, e tendo em conta o contexto atual, tivemos que alterar significativamente a forma de trabalhar, aliás como está a acontecer um pouco por todo o Mundo. Prestando serviços essenciais, tivemos que nos adaptar por forma precavermos a continuidade dos serviços. Tivemos que definir os serviços mínimos que poderíamos prestar, reduzindo as equipas no terreno por forma a reduzir o risco de contágio e precavendo um quadro de pessoal capaz de se ir substituindo. A ideia é estarmos preparados para garantir a continuidade do serviço por um período alargado de pandemia, período esse que ninguém ainda consegue perspetivar.   Têm equipas em teletrabalho? Todos os trabalhadores cujo trabalho poderia ser feito à distância, estão atualmente em regime de teletrabalho. Penso que foi um trabalho notável conseguir, de um dia para o outro, que uma empresa com 514 colaboradores, conseguisse colocar todo o seu backoffice a trabalhar à distância. Atualmente cerca de 50% dos colaboradores da Águas do Porto estão a trabalhar nesta modalidade. Até a Gestão de Operações, equipa que recebe as chamadas dos clientes e distribuir o serviço pelos operacionais que estão na rua, está atualmente a trabalhar em teletrabalho, com a exceção de um elemento presencial, que de forma rotativa e cobrindo três turnos diários, se mantém na sede da Águas do Porto.   E no terreno? Para todos os operacionais que se encontram no terreno foram reforçadas as medidas de segurança, dotando-os de mais equipamentos de proteção individual, criando rotinas de desinfeção de viaturas e equipamentos de trabalho, garantindo que os colaboradores não se deslocam em transportes públicos, etc.  Tivemos ainda o cuidado de aumentar os stocks de materiais necessários para as reparações necessárias, reagentes e equipamentos de proteção individual por forma a garantir resposta às necessidades diárias.  Por forma a conseguirmos garantir uma gestão eficaz à distância têm sido realizadas reuniões diárias por videochamada com toda a cadeia dirigente da Empresa para que tudo funcione bem e de forma articulada. Este é um grande desafio para a Águas do Porto e para toda a comunidade em geral, e tenho confiança que estamos à altura. Deixo aqui um bem-haja a todos as pessoas que se encontram ao serviço na rua para que os serviços essenciais sejam garantidos. E como não poderia deixar de ser, deixo aqui um obrigada especial à equipa da Águas do Porto!     Neste momento a água da torneira que é consumida no Porto é segura? Sim, tem-se verificado elevada qualidade da água. Neste momento, o indicador de água segura garante confiança no consumo diretamente da torneira.   Então podemos confiar na água que bebemos da torneira… Confiem e bebam água da torneira. É um produto equilibrado, seguro e acessível. A Água de abastecimento público é controlada diariamente desde a origem até à torneira do consumidor. São realizadas anualmente milhares de análises, com desempenho excelente no que respeita ao indicador “Água Segura”.   O controlo de qualidade da água é efetuado com maior periocidade do que habitualmente durante este período? O Laboratório da Águas do Porto mantém a periodicidade do Plano de Controlo de Qualidade da Água (PCQA), aprovado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). Mantém igualmente o Plano de Controlo Operacional (PCO) com colheitas diárias nas condutas adutoras e nas condutas de ligação dos reservatórios à rede.   Há alguma evidência de que o vírus afete a água que nos chega a casa? Não, não há evidências de que o coronavírus responsável pela COVID-19 seja transmitido pela água potável.  Os coronavírus, grupo no qual se insere o SARS-CoV-2, possuem uma membrana externa frágil que é suscetível a oxidantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso de cloro como desinfetante da água, mantendo um residual em todo o sistema, é eficaz na remoção deste tipo de vírus.     Como está neste momento a ser realizada a recolha de amostragem de água para controlo da qualidade? O PCQA teve de ser adaptado: o controlo na “torneira do consumidor” foi substituído pelo controlo em bebedouros, fontes e fontanários ligados à rede. As equipas de 2 elementos trabalham por turnos quinzenais, sem contacto entre si, para evitar o eventual contágio.   Quais os cuidados que os técnicos estão a ter na recolha? E os equipamentos, existe alguma alteração na sua manutenção? Os técnicos de colheitas, como habitualmente, cumprem escrupulosamente as medidas de higiene e utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) definidas nos procedimentos de amostragem, nomeadamente no manuseamento, limpeza e desinfeção de malas térmicas, superfícies, embalagens e frascos.  Serão igualmente cumpridas todas as medidas adicionais determinadas pelas Entidades competentes.   São realizados os mesmos testes em laboratório para aferir a qualidade da água, ou existem alterações? Neste momento estão a ser realizados todos os parâmetros de acordo com as definições da ERSAR e o Dec. Lei nº 306/2007, de 27 de agosto e alterações do Dec. Lei nº 152/2017, de 7 de dezembro. A Águas do Porto e o seu laboratório colaborarão com a Autoridade de Saúde (AS) e a ERSAR, na monitorização do impacto do SARS-CoV-2 nos sistemas de água, à medida que o conhecimento se for desenvolvendo.   Que conselho dá a todas as pessoas/engenheiros que vão ler esta entrevista? Que comportamento adotar? Neste momento, que sejamos responsáveis e cumpramos as recomendações da OMS e da Direção Geral da Saúde (DGS). Está provado que o controlo e mitigação desta pandemia depende muito do nosso comportamento social. Aos engenheiros responsáveis pela exploração de serviços essenciais, mais do que nunca, teremos que continuar a ser resilientes e manter a motivação. Só assim toda a cadeia funcionará.  

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