O workshop “Financiamento Sustentável: Oportunidades e Desafios para as Empresas”, organizado pelo ISQ em parceria com a OERN, reuniu especialistas e profissionais da área, no seguimento do projeto Shift2DigitalGreen, cofinanciado pelo COMPETE 2030, Portugal 2030 e pelo FEDER.
A sessão de abertura contou com as intervenções de Joaquim Pais Barbosa (Gestor do Projeto do ISQ), João Safara (Administrador do ISQ) e Ana Pires (Vogal do Conselho Diretivo da OERN).
Joaquim Pais Barbosa apresentou o enquadramento do projeto Shift2DigitalGreen em termos dos seus objetivos e atividades. Por sua vez, João Safara sublinhou a pertinência de discussão de financiamento sustentável, o qual será central para um futuro de sustentabilidade e competitividade do nosso tecido empresarial e destacou ainda o trabalho que tem vindo a ser realizado pelo ISQ neste domínio.


Por sua vez Ana Pires sublinhou o papel que a Engenharia terá na implementação efetiva dos instrumentos de financiamento sustentável e na tradução dos critérios e complexidades na relação entre o setor financeiro e o tecido empresarial.

Após a sessão de abertura, Ana Martins (ESG Associate Partner da UHY Portugal) apresentou o estudo recente elaborado pelo ISQ e UHY, intitulado “Conhecimento e Impacto dos Instrumentos de Financiamento Sustentável nas Empresas Portuguesas”.
O estudo, que resultou da análise de mais de mil respostas, revela que apenas 5% das empresas inquiridas já recorreram a financiamento sustentável, identificando uma forte assimetria no tecido empresarial nacional: 55% das grandes empresas estão familiarizadas com estes instrumentos; apenas 27% das microempresas afirmam o mesmo, apontando a elevada burocracia, a complexidade legislativa, a falta de conhecimento e a falta de garantias como os principais obstáculos. Os resultados revelam ainda que setor da construção destaca-se ao nível do conhecimento e de utilização.
Ao nível de adoção dos instrumentos, os Green Bonds ou Green Loans são os instrumentos mais usados (42%), seguido dos Sustainability Linked Bonds ou Loans (33%). O uso de investimento comunitário e/ou público é ainda incipiente (2%). Relativamente aos montantes mobilizados, a maioria situa-se até 5 milhões de euros, com a mitigação das alterações climáticas a ser a prioridade mais referida.
Em suma, o estudo apresentado contribui para uma compreensão mais aprofundada do panorama nacional, identificando pontos fortes, fragilidades e oportunidades de evolução, que poderão servir de base para o desenvolvimento de estratégias empresariais e iniciativas financeiras que promovam uma maior integração dos princípios ESG no tecido económico português, em linha com as tendências europeias e globais.
Após a apresentação do estudo seguiu-se uma mesa-redonda de debate, que teve Miguel Costa (Coordenador do Grupo de Trabalho de Engenharia do Ambiente da OERN) como moderador e António Vilarinho (Diretor ITR do IQS), Ana Martins e Marcos Machado (Diretor Financeiro da Gabriel Couto S.A) como oradores.

A sessão iniciou-se com uma intervenção de Miguel Costa, que destacou a importância do estudo apresentado para compreender o estado do financiamento sustentável em Portugal. Foi salientado que a crescente exigência regulatória torna a integração dos princípios ESG um fator cada vez mais relevante para a competitividade das organizações.
Ao longo da mesa-redonda, os oradores identificaram como principais obstáculos à adoção de instrumentos de financiamento sustentável a reduzida divulgação por parte da banca, a complexidade dos processos de financiamento e a necessidade de competências técnicas especializadas, desafios particularmente relevantes para as PME. Foi também consensual a necessidade de uma maior aproximação entre o setor financeiro e o tecido empresarial.
Marcos Machado destacou a crescente importância do financiamento sustentável no setor da construção e partilhou a experiência da Gabriel Couto na implementação do seu primeiro instrumento deste tipo. Ana Martins referiu que as empresas de maior dimensão se encontram mais preparadas para a sua adoção, enquanto António Vilarinho sublinhou que as práticas ESG já são uma exigência para muitas empresas com atividade internacional, embora o mercado português ainda esteja numa fase inicial de desenvolvimento.
Relativamente aos instrumentos disponíveis, foi defendido que a sua escolha deve depender das características de cada organização. Os instrumentos Sustainability-Linked foram apontados como adequados para empresas de maior dimensão, enquanto os Green Bonds e Green Loans tendem a apresentar uma implementação mais simples. Foi ainda destacado o papel das grandes empresas na disseminação das práticas ESG junto das PME através das cadeias de fornecimento, bem como a importância da formação técnica para aumentar a capacitação das organizações.

A sessão terminou com a partilha do desejo comum de que, nos próximos anos, o financiamento sustentável se torne uma prática amplamente integrada no tecido empresarial português. Miguel Costa destacou ainda o papel de destaque os Engenheiros do Ambiente terão para responder aos desafios operativos e de capacitação técnica das empresas, no sentido de criar a ponte de confiança essencial entre as empresas e o setor bancário ou investidores.
Por sua vez, Joaquim Pais Barbosa destacou a relevância do tema discutido e a necessidade de mudança de paradigma necessária.
Ambos deram ainda um importante ênfase à realização de sessões como a realizada, mas sobretudo à simbiose e sinergias entre entidades reguladoras da profissão como a OERN e empresas de referência como o ISQ.

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