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Bento Aires distinguido como Membro Honorário da AME em conferência sobre prevenção de catástrofes

O Presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Engenheiros – Região Norte, Bento Aires, foi distinguido como Membro Honorário da Associação Mutualista dos Engenheiros (AME), durante a 14.ª Conferência Anual da associação. A iniciativa decorreu a 23 de outubro, no Porto, e colocou em debate o papel da engenharia, do mutualismo, dos seguros e da inovação na prevenção e resposta a catástrofes.

Bento Aires, Presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OERN), foi distinguido como Membro Honorário da Associação Mutualista dos Engenheiros (AME). A distinção foi atribuída durante a 14.ª Conferência Anual da AME, realizada a 23 de outubro, na Fundação Manuel António da Mota, no Porto.

A apresentação do novo Membro Honorário esteve a cargo de Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros. A placa foi entregue por Francisco Sousa Soares, Presidente do Conselho de Administração da AME, seguindo-se uma intervenção de Bento Aires.

Na mesma sessão, a Fundação Manuel António da Mota foi também distinguida como Membro Honorário da AME.

Promovida pela Associação Mutualista dos Engenheiros e pela Ordem dos Engenheiros, a conferência teve como tema “A importância da Engenharia e do Mutualismo na prevenção e na resolução de catástrofes”.

O encontro reuniu engenheiros, especialistas e representantes institucionais para analisar a gestão do risco, a resiliência das infraestruturas, a resposta a emergências e os mecanismos de recuperação.

A sessão de abertura contou com as intervenções de Francisco Sousa Soares, Presidente do Conselho de Administração da AME, Fernando Amaro, Presidente da Associação Portuguesa de Mutualidades, Álvaro Santos, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e Hugo Beirão Rodrigues, Vereador da Habitação da Câmara Municipal do Porto. As intervenções enquadraram o tema da conferência e a importância de reforçar a prevenção, a preparação e a capacidade de resposta perante situações de catástrofe.

Prevenir antes de responder

Um dos temas centrais da conferência foi a necessidade de criar mecanismos que permitam ao país estar preparado antes da ocorrência de uma catástrofe.

Luís Leite Ramos, Presidente da Agência para o PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, centrou a sua intervenção na importância de um fundo de calamidades.

As tempestades que atingiram Portugal no início de 2026 foram apresentadas como exemplo da dimensão económica destes fenómenos. Os prejuízos foram estimados em cerca de 5,3 mil milhões de euros, dos quais apenas 26% estavam cobertos por seguros.

A criação de um fundo pré-capitalizado permitiria dispor de recursos de forma mais rápida e estabelecer previamente as regras de apoio. O modelo previsto aponta para um Fundo de Catástrofes Naturais e Sísmicas, associado a mecanismos de seguro e de solidariedade.

Medir o risco, conhecer a vulnerabilidade dos edifícios e dos territórios e estabelecer critérios técnicos capazes de incentivar a redução desse risco foram algumas das áreas identificadas onde a engenharia pode ter um contributo direto.

Resiliência dos sistemas de água

A capacidade de antecipar e reduzir riscos esteve também no centro da intervenção de Frederico Fernandes, CEO da Be Water em Portugal, que abordou a resiliência no setor da água.

Cheias, secas, tempestades, sismos, contaminação e falhas de infraestruturas colocam desafios a um setor que assegura serviços essenciais e que, por essa razão, exige capacidade de resposta e continuidade.

A gestão integrada dos sistemas foi apontada como um dos caminhos para aumentar essa capacidade. No Porto, a articulação entre abastecimento, saneamento, águas pluviais, ribeiras e praias permite abordar problemas que ultrapassam as fronteiras de cada rede.

Entre os exemplos apresentados esteve o Parque Central da Asprela, onde uma bacia de retenção com capacidade para 10 mil metros cúbicos contribui para o controlo de cheias e está integrada no espaço público.

A experiência internacional mostra também soluções apoiadas pela tecnologia, através da monitorização em tempo real, de gémeos digitais, da reutilização da água e de novas formas de retenção das águas pluviais.

Vasco Peixoto de Freitas, professor catedrático da FEUP e Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros, centrou a sua intervenção nos desafios associados ao desempenho e à reabilitação dos edifícios, destacando questões relacionadas com a eficiência energética, a durabilidade e a adequação das soluções às condições reais de utilização. Temas que acompanham o seu trabalho de investigação e consultoria na área da física das construções e da patologia e reabilitação do edificado

Manuel Carlos Emílio, Diretor do Gabinete de Engenheiros Consultores, abordou a segurança dos edifícios associados a entidades críticas e a necessidade de integrar a avaliação do risco ao longo de todo o processo de decisão.

Sismos, inundações, incêndios, falhas técnicas, ciberataques e interrupções de energia ou comunicações estão entre os cenários que devem ser considerados.

A análise deve começar antes da escolha do local de implantação. As condições do terreno, o risco de cheias, os acessos, as redes disponíveis e a capacidade de manter funções essenciais em situação de emergência podem condicionar as próprias opções de projeto.

A redundância dos sistemas é outro dos pontos a considerar. Ter duas alimentações elétricas, por exemplo, não garante maior segurança se ambas dependerem da mesma infraestrutura.

A avaliação do risco deve, por isso, acompanhar todo o ciclo de vida do projeto. Antes da entrada em funcionamento, o desempenho dos sistemas deve ser testado perante diferentes cenários de falha e emergência.

O peso dos eventos climáticos extremos na economia e no setor segurador foi analisado por Tiago Silva.

Entre 1981 e 2023, as catástrofes climáticas provocaram cerca de 900 mil milhões de euros em perdas económicas diretas na União Europeia, mas menos de 25% dessas perdas estavam cobertas por seguros.

Em Portugal, apenas 8% das empresas dispunham de cobertura para interrupção da atividade, de acordo com os dados apresentados na conferência.

Neste contexto, o seguro foi apontado como um instrumento relevante para a recuperação económica. As indemnizações permitem disponibilizar liquidez depois de uma catástrofe, apoiar a continuidade das empresas e reduzir a dependência de crédito ou de apoios públicos.

O aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos extremos coloca também novos desafios à avaliação do risco. Os modelos baseados apenas em dados históricos tornam-se insuficientes, exigindo abordagens prospetivas, georreferenciação e maior articulação entre seguros, planeamento e prevenção.

A inovação tecnológica aplicada à prevenção foi outro dos temas abordados.

Míriam Nicolau da Costa, Presidente da FIF Portugal, destacou o potencial de tecnologias como sensores, satélites, drones e sistemas de análise de dados para melhorar a identificação e a monitorização dos riscos.

Prevenção e resposta a catástrofes em debate

Depois das apresentações, a conferência prosseguiu com uma mesa-redonda dedicada aos contributos para a prevenção e resolução de catástrofes, moderada por José António Barros, Membro Honorário da AME.

O debate reuniu Frederico Fernandes, Vasco Freitas, Manuel Carlos Emílio e Tiago Silva, cruzando diferentes perspetivas sobre a prevenção do risco e a capacidade de resposta perante situações de catástrofe.

A discussão passou pela resiliência das infraestruturas, continuidade dos serviços essenciais, avaliação do risco, seguros e investimento em prevenção.

A mesa-redonda permitiu ainda relacionar a preparação das infraestruturas com os mecanismos de proteção financeira, reforçando a necessidade de uma abordagem integrada entre prevenção, resposta e recuperação.

Engenharia no centro da prevenção

Ao longo das apresentações e do debate ficou uma ideia comum: a resposta a uma catástrofe começa muito antes de ela acontecer.

O planeamento, a avaliação do risco, a capacidade das infraestruturas, a inovação, os seguros e a existência de mecanismos financeiros preparados para situações de emergência fazem parte de uma estratégia que exige articulação entre engenharia, instituições, empresas e sociedade.

As principais conclusões da 14.ª Conferência Anual da AME foram apresentadas por Ana Teodoro, Vice-Presidente do Conselho Diretivo da Ordem dos Engenheiros – Região Norte.

O encerramento esteve a cargo de António Carrasquinho de Freitas, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Associação Mutualista dos Engenheiros.

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