A Universidade da FM foi palco de mais uma edição das "Conversas de Engenharia", uma iniciativa realizada em parceria com a Delegação Distrital de Vila Real da Ordem dos Engenheiros, que promove a partilha de conhecimento, experiência e reflexão entre engenheiros de diferentes especialidades e a comunidade académica.
A sessão foi dedicada a um dos grandes desafios da atualidade: o envelhecimento da população e o papel determinante da Engenharia na criação de condições de habitabilidade dignas, seguras e adaptadas à população sénior. A conversa contou com a participação de Raquel Reis, Engenheira Civil e técnica do Instituto da Segurança Social, e de José Filipe Monteiro, Delegado Distrital de Vila Real da Ordem dos Engenheiros.
Durante a sessão, foi destacado que o aumento da esperança média de vida, associado à melhoria das condições de alimentação, higiene, habitação e infraestruturas, coloca novas exigências às respostas sociais destinadas às pessoas idosas. Neste contexto, a Engenharia assume um papel central no planeamento, conceção e funcionamento das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI).
“A Engenharia está extremamente comprometida e é fundamental nas estruturas residenciais para pessoas idosas, garantindo instalações seguras, funcionais e adaptadas, num contexto de envelhecimento populacional acelerado”, sublinhou Raquel Reis.
A convidada explicou que uma ERPI é “um estabelecimento de alojamento coletivo, de utilização temporária ou permanente, onde são desenvolvidas atividades de apoio social e prestados cuidados adequados às necessidades das pessoas idosas e das suas famílias”, acrescentando que estas estruturas se destinam, sobretudo, a pessoas que, por razões de dependência, isolamento ou insegurança, não conseguem permanecer nas suas habitações.
Ao longo da conversa, foram abordadas as várias respostas sociais existentes para a população sénior, como as ERPI, os centros de dia, o serviço de apoio domiciliário e as novas soluções de habitação colaborativa e comunitária. Sobre estas últimas, Raquel Reis destacou que “são respostas muito interessantes para o futuro, porque permitem autonomia, proximidade de serviços e partilha de experiências, combatendo o isolamento social”. A engenheira enfatizou ainda que a qualidade das respostas não depende apenas das condições físicas dos edifícios, mas também da componente humana.
Do ponto de vista técnico, foram apresentados os principais requisitos funcionais das ERPI, nomeadamente ao nível da acessibilidade, segurança contra incêndios, conforto térmico, eficiência energética e organização dos espaços. “A Engenharia tem a capacidade de transformar requisitos técnicos e normas de segurança em ambientes acolhedores, modernos e seguros”, afirmou Raquel Reis.
A sessão abordou ainda os procedimentos necessários para a construção e licenciamento de equipamentos sociais, destacando a importância da escolha adequada do local, da articulação com as entidades competentes e do cumprimento dos diplomas regulamentares em vigor.
A iniciativa reforçou o papel da Engenharia como área fundamental na resposta aos desafios sociais do envelhecimento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população sénior e para a construção de soluções sustentáveis, inclusivas e humanas.
As "Conversas de Engenharia" continuam assim a afirmar-se como um espaço privilegiado de diálogo e aproximação entre a Engenharia e a sociedade.
Oiça a conversa completa aqui: