Partilhe

Os engenheiros podem ajudar na adaptação dos hospitais à Covid-19?

Manuel Luz Carvalho é médico e engenheiro Civil. Parece impossível, mas é verdade. A “pele” de médico não o fez perder a sensibilidade para a Engenharia, e foi assim que decidiu contactar a OERN para fazer um apelo a todos os engenheiros para que se organizem e de forma proativa procurem ajudar na luta contra a pandemia.

  “Sou médico no hospital Egas Moniz, em Lisboa e estou a acompanhar de perto o processo de adaptação do meu hospital e de outros à luta contra a pandemia Covid-19. Sou também Engenheiro Civil e membro da Ordem dos Engenheiros.” Começa por nos dizer, lembrando que o seu percurso improvável não é o mais importante aqui, mas sim o facto de “a adaptação dos hospitais portugueses à luta contra a pandemia Covid-19 e enfrentar muitos problemas técnicos com os edifícios dos hospitais e centros de saúde.” E por isso decidiu fazer este apelo.
“Apelo aos engenheiros, profissionais de Engenharia e empresas em que estão inseridos para que, proativamente, criem uma rede de profissionais nas regiões que rápida e facilmente consigam dar resposta aos problemas técnicos que irão surgir nos hospitais, nos centros de saúde e nos lares de idosos. “
  “Acredito que Portugal corre um risco muito sério de ter a totalidade das vagas de cuidados intensivos esgotadas dentro de alguns dias ou semanas.”  E explica-nos porquê: “esta realidade da inexistência de vagas adicionais de cuidados intensivos, que já está a acontecer noutros países do Sul da Europa como a Itália e a Espanha, obriga à criação de critérios de restrição para permitir que os doentes mais jovens e com menos fatores de mau prognóstico, ou seja com maior probabilidade de recuperar, não tenham as vagas totalmente ocupadas por outros doentes mais velhos e com menor possibilidade de recuperação da doença.” Obviamente as restrições no acesso aos cuidados intensivos durante a pandemia Covid-19 irão conduzir "a um grande número de mortes evitáveis caso existisse uma maior capacidade de resposta. Na minha opinião, tendo em conta que Portugal tem ainda menos equipamento e vagas do que Itália ou Espanha, a situação poderá tornar-se ainda mais séria num curto espaço de tempo.” explica-nos o médico.
“Atualmente, em Portugal ainda não se tomou nenhuma medida que não tenha sido já tomada noutros países, pelo que não fará muito sentido estar à espera de resultados diferentes.”
  Aponta Manuel Luz Carvalho, por isso, “são urgentes ideias, inovação e cooperação no sentido de aumentar significativamente o número de vagas de cuidados intensivos em Portugal num período de tempo muito curto. Só a tomada de medidas adicionais e inovadoras em relação ao que fizeram os outros países poderá conduzir a melhores resultados em Portugal do que os de Espanha e de Itália.” O facto de ser médico permite-lhe acompanhar de perto a adaptação do SNS à luta contra a pandemia Covid-19. Por outro lado, a sua formação e experiência profissional, na área da Engenharia e da inovação permite-lhe constatar que:  
“Existe atualmente uma necessidade brutal de proatividade por parte dos engenheiros e das empresas no sentido de procurarem desafios e necessidades que possam solucionar no mais curto espaço de tempo possível contribuindo assim para salvar vidas dos portugueses."  
“Infelizmente não há tempo para se estar à espera que que todas as necessidades e problemas técnicos sejam identificadas a nível central pelo governo e pelas administrações de saúde.” Estas instituições já estão sobrecarregadas pela necessidade de reorganizarem todo o SNS para responder à pandemia de forma convencional pelo que, "dificilmente, terão capacidade de organizar e implementar medidas adicionais baseadas na inovação e numa vontade acrescida de cooperar e de ajudar da sociedade civil." “É necessário e urgente que os engenheiros, as empresas e os organismos em que estão inseridos se apercebam que esta é a altura para se estar a aprender tudo o que é possível sobre o Covid-19, conhecer soluções técnicas que já foram implementadas na China e noutros países em fases mais avançadas da epidemia, e perceber o que resulta e o que não resulta, e a criar soluções e produtos que se adaptem à realidade nacional.” diz-nos o médico em sentido de apelo.   Manuel Luz Carvalho partilha uma lista de desafios nos quais o engenheiros podem colaborar: - aumento do número de ventiladores ou criação de soluções que permitam utilizar o mesmo ventilador para mais do que um doente simultaneamente; - criação de vastas áreas com pressão negativa que permitam alojar doentes infetados (seja através de estruturas provisórias ou da reconversão de áreas existentes); - alteração dos circuitos elétricos (criação de sistemas de redundância, criar pontos de eletricidade onde eles não existem atualmente); - alterações aos circuitos de esgotos e de águas relacionadas com a deslocação de equipamentos de diálise para assistência aos doentes infetados; - criação de adufas (zonas segregadas de pressão negativa intermédia) para que os profissionais de saúde se possam equipar ou desequipar em segurança; - avaliar a possibilidade de aumentar a produção nacional de álcool, desinfetante, máscaras e restante equipamento de proteção; - desenvolvimento de equipamento de proteção para os profissionais de saúde adaptado ao Covid-19 que possa ser utilizado confortavelmente por períodos prolongados; - adaptação de estruturas vazias como hospitais que tiveram a sua atividade suspensa, hotéis, escolas ao tratamento de doentes Covid-19; - modelação da dispersão de aerossóis e de gotículas contaminadas com o vírus que permita estabelecer quais as distâncias a manter; - criação de enfermarias em estruturas provisórias ou modulares; - dispositivos para facilitar a pronação de doentes; - desenvolvimento de técnicas para desinfeção massiva.   Manuel Luz Carvalho partilha já no final da entrevista uma momento da sua vida que por estes dias têm feito aindas mais sentido: “Lembro-me de uma aula de Saúde Pública em que o professor dizia que o aumento da esperança média de vida das populações assentava 70% no acesso a água potável e saneamento."
"Pensei logo que era curioso que o aumento da esperança média de vida se dever principalmente a infraestruturas de Engenharia, mas ser comum ouvir-se que são os médicos que salvam vidas!”.  
E por isso reitera que "não podemos cair no erro de pensar que a tarefa de salvar vidas nesta epidemia cabe apenas aos profissionais de saúde, mas que seria muito importante aumentar os meios e as infraestruturas para que esses profissionais possam prestar os melhores cuidados possíveis.” E por tudo isso Manuel Luz Carvalho acredita que “Engenharia portuguesa pode ter um papel crucial no aumento da disponibilidade de infraestruturas e de equipamento que permita combater eficazmente esta epidemia caso lhes seja dado o conhecimento de que existe imensas oportunidades para ajudar para fazer.”   Termina relembrando o apelo: “Todos os dias estão a surgir novos desafios de Engenharia e de construção e com este apelo pretendo alertar para a possibilidade que os engenheiros têm de ajudar o país a lutar contra esta pandemia e a salvar vidas. Sugiro que proativamente sejam efetuados contactos não só Administrações dos hospitais, os serviços hospitalares e os centros de saúde, os lares mas também os profissionais que trabalham na linha da frente para averiguar quais os problemas técnicos com que se deparam e para manifestar disponibilidade de ajudar na sua resolução. Acredito que a criação de linhas de comunicação com o SNS a vários níveis ajude a solucionar estes problemas muito mais rapidamente. Seria também importante a criação de estruturas que permitam coordenar esta resposta adicional da sociedade à luta contra a pandemia e acredito que a Ordem dos Engenheiros poderia ter um papel importante e de liderança na coordenação da resposta". Assim, a resposta ao título desta notícia é: Sim.

+ Notícias

Fórum Ambiente: “são iniciativas como esta que contribuem para formar engenheiros mais conscientes, mais preparados e mais comprometidos com os desafios da sustentabilidade”

Investigação, Infraestruturas e Estratégias para o futuro em discussão na 17ª edição das Jornadas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente da FEUP

Fenómenos climatéricos, barragens e recursos hídricos: “Há Conversas de Engenharia” com Rui Cortes

TESTE TEXTO FORM ESTRA

The Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OERN) is launching a special training offer aimed at foreign members, with the goal of supporting their professional integration and facilitating access to the Portuguese labor market.

These training programs were designed to address the specific challenges faced by foreign engineers when starting their professional activity in Portugal, particularly with regard to the legal and regulatory framework and the professional practices in force.

OERN recognizes that successful integration requires more than the recognition of qualifications. It requires clear information, proper guidance, and an understanding of the Portuguese professional context. By offering dedicated training programs, OERN reinforces its commitment to the integration of its foreign members, promoting equal conditions in the exercise of the profession and contributing to a more qualified and integrated engineering practice.

Discover the training courses available on this page.