A Delegação Distrital de Vila Real da Ordem dos Engenheiros promoveu uma sessão técnica dedicada à implementação prática do Building Information Modeling (BIM), reunindo profissionais do setor para discutir desafios, oportunidades e caminhos futuros desta metodologia no contexto da construção.
A iniciativa contou com a presença do engenheiro civil Orlando de Azevedo, convidado a partilhar a sua experiência na aplicação do BIM em projetos reais. Na abertura, foi destacado o caráter formativo da sessão, bem como a participação de profissionais provenientes de diferentes regiões, como Braga, Mogadouro e Porto.
Ao longo da apresentação, o especialista sublinhou a dificuldade de abordar o tema perante públicos com níveis distintos de conhecimento, assumindo o desafio de equilibrar conceitos introdutórios com exemplos práticos. “Há quem já domine a metodologia e quem ainda esteja a começar. Tornar esta abordagem útil para todos não é simples”, referiu.
A sessão centrou-se na análise de casos concretos, evidenciando tanto os benefícios como as dificuldades da implementação do BIM. Entre os principais pontos abordados estiveram a necessidade de definir processos claros, evitar a dependência excessiva de software e compreender o BIM como um sistema integrado de informação e não apenas como modelação tridimensional.

Orlando de Azevedo destacou ainda o papel do BIM na redução de erros de projeto, nomeadamente através da deteção automática de incompatibilidades entre especialidades, bem como na otimização de recursos e diminuição do desperdício em obra. “O valor do BIM está na informação. É isso que transforma um modelo 3D num verdadeiro instrumento de trabalho”, sublinhou.
A relação entre o setor da construção e os desafios das alterações climáticas também esteve em foco. O orador recordou que a indústria tem um impacto significativo no consumo de energia e nas emissões de carbono, defendendo que a adoção do BIM pode contribuir para práticas mais sustentáveis, nomeadamente através da melhoria da eficiência energética e da redução de resíduos.
Durante a sessão, foi ainda feita uma analogia entre a transição do desenho em estirador para o CAD e a atual evolução para o BIM, prevendo-se que esta metodologia venha a tornar-se praticamente obrigatória no setor nos próximos anos.
A iniciativa integrou-se no esforço contínuo da Ordem dos Engenheiros em promover a formação e atualização técnica dos seus membros, sendo recordado que todas as ações são divulgadas através dos canais oficiais da instituição, incluindo o site e redes sociais.
A sessão terminou com um apelo à adoção gradual e estruturada do BIM, começando pela compreensão das normas e processos, antes da escolha das ferramentas tecnológicas, numa abordagem considerada essencial para o sucesso da sua implementação.
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