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Entrevista] Henrique Nogueira Pinto conquistou 1 milhão de euros para investigar o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas

PERFIL

Nome: Henrique Nogueira Pinto

Idade: 26

Formação: Mestrado em Bioengenharia

Instituição de ensino: Universidade do Porto (FEUP/ICBAS)

Função atual: Aluno de doutoramento

Empresa atual: Amsterdam UMC

A Bioengenharia foi a Engenharia propulsora do seu percurso profissional. O que é que o levou a escolher Bioengenharia na FEUP/ICBAS?

A área da saúde sempre me interessou, mas não da forma mais convencional. Queria descobrir curas para doenças, em particular neurogenerativas. Por outro lado, senti que o perfil de engenheiro encaixava com a minha personalidade e ambições: resolver problemas, inventar, inovar. Vi na Bioengenharia a junção destes dois mundos. Em relação às instituições, tanto a FEUP como o ICBAS são referências no ensino superior em Portugal, por isso, não tive dúvidas que seria a escolha certa.

Formamos muito bem, mas não conseguimos assegurar uma oferta profissional atrativa aos jovens investigadores, ao contrário de outros países

Neste momento é candidato a um PhD na Amsterdam UMC & UMC Utrecht. Sente que a Engenharia praticada no exterior difere muito da praticada em Portugal? O que sente que tem lá fora que seria útil implementar aqui dentro?

A maioria dos meus colegas não são engenheiros, mas sim biólogos, bioquímicos ou médicos, por isso não tenho uma opinião muito vincada em relação a esse aspeto. Ainda assim, dentro do que conheço, vejo que Portugal dá uma educação de excelência aos seus engenheiros. A maior diferença prende-se com as saídas profissionais, em particular na área da investigação.

Formamos muito bem, mas não conseguimos assegurar uma oferta profissional atrativa aos jovens investigadores, ao contrário de outros países (nomeadamente, os Países Baixos), em que a investigação é vista como prioridade. Portanto, a meu ver, o mais útil para Portugal, neste momento, seria apostar na retenção de profissionais qualificados e na investigação científica, não só com o objetivo de criar conhecimento, mas também abrindo oportunidades para a criação de spin-offs com potencial de retorno no investimento.

Desenvolve um projeto inovador, na área da saúde. Como é que descreveria o seu dia-a-dia a um estudante de Bioengenharia, interessado em descobrir essa área?

Os dias de um investigador acabam por ser muito diversificados (algo que, pessoalmente, valorizo). A minha semana divide-se entre reuniões (com orientadores, alunos de Licenciatura/Mestradoou colaboradores), trabalho de laboratório, aquisição de imagens microscópicas, análise de dados e escrita de artigos. Existe liberdade para que cada pessoa organize o seu tempo da forma que mais se adapta a si e isso origina, por sua vez, dias/semanas mais produtivas.

(...) Portugal dá uma educação de excelência aos seus engenheiros. A maior diferença prende-se com as saídas profissionais, em particular na área da investigação.

Estudando a maneira como os fármacos chegam ao cérebro e como atuam em condições normais e patológicas, está a traçar um caminho inovador na área das doenças neurodegenerativas. Como é que percebeu que queria usar a sua formação em Bioengenharia para ajudar os outros?

Foi precisamente esse o motivo que me fez ingressar em Bioengenharia. Sendo escuteiro desde criança, sempre senti um dever e uma vontade de ajudar os outros. A minha bisavó teve Alzheimer, o que me permitiu acompanhar de perto o quão devastantes as doenças neurodegenerativas podem ser, para o doente mas sobretudo para a família. Assim, decidi usar o meu percurso profissional para tentar contribuir para esta causa.

Conquistou uma bolsa de um milhão de euros. A sua formação em Bioengenharia pode, de facto, mudar o futuro da saúde com este investimento? Quais são os próximos passos?

Ainda há muito a percorrer para travar o Alzheimer. Muitos milhões de euros terão de ser investidos para esse fim. O meu objetivo é tentar juntar mais uma peça a este grande puzzle, de forma a podermos um dia ver a imagem completa. Espero que a minha formação em Bioengenharia me possa ajudar a desenhar a peça perfeita!

O meu objetivo é tentar juntar mais uma peça a este grande puzzle, de forma a podermos um dia ver a imagem completa.

A Ordem dos Engenheiros é uma entidade que procura, entre outras valências, proteger e valorizar o trabalho dos Engenheiros e Engenheiras em Portugal. De que forma é que acha que esta instituição poderia apoiar o impacto e a fixação dos Bioengenheiros no país?

Tendo em conta a capacidade e influência da Ordem dos Engenheiros, penso que o melhor caminho passaria por continuar apostar na disseminação de histórias de sucesso de Engenheiros e Engenheiras portugueses, reforçar o apoio em programas de retorno e promover a importância da investigação científica como pedra basilar da inovação e avanço tecnológico.

Aos 26 anos tem já um percurso impressionante percorrido. Há (ainda mais) Engenharia no futuro do seu percurso profissional? De que forma?

Acredito que o meu percurso profissional ainda mal começou. Ainda tenho muito para aprender e para ensinar, muito para descobrir e para engenheirar.

Não duvido que a Engenharia permaneça comigo durante todo o meu percurso, tanto na ciência em si como na forma estruturada, racional e empírica com que tento resolver os problemas com que me deparo.

O seu futuro pinta-se em Portugal? O que ainda há para fazer antes de voltar a “casa”?

Sem dúvida! Portugal é, de facto, casa, e os meus pais sempre me fizeram dar muito valor a casa. Mas antes de regressar, preciso de expandir ainda mais os meus conhecimentos e avançar na minha carreira, para que possa voltar a Portugal com mais estabilidade e possibilidade de singrar.

Se pudesse dar um conselho a um/a futuro Engenheiro/a que esteja a ler esta entrevista, qual seria?

Vai à descoberta. As oportunidades estão ao virar da esquina, mas não correm até ti. Por isso, vai atrás delas. Vai requerer trabalho, decidação e muita resiliência, mas se sentes que algo te faz feliz, não baixes os braços e segue o teu sonho.

Há Futuro onde Há Engenheiros?

Absolutamente, mas mais do que isso, atrevo-me a dizer que sem Engenheiros não há futuro.

📸 Créditos Fotográficos: Roy Vermeij

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