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Bento Aires abordou a importância da formação no debate sobre a construção sustentável

No passado dia 5 de junho, no Dia Mundial do Ambiente, o setor da construção e do imobiliário reuniu-se para debater os bloqueios à sustentabilidade em Portugal, a necessidade da formação e qualificação e a visão estratégica a longo prazo, num debate organizado pelo Portal da Construção Sustentável

O debate “O que está a travar a sustentabilidade?”, promovido pelo Diário Imobiliário, juntou arquitetos, promotores, académicos, engenheiros e representantes de entidades certificadoras num showroom em Lisboa, numa conversa que confirmou: o caminho para a construção sustentável está ainda longe de ser sistemático no nosso país.

A formação e qualificação profissional surgiram como áreas críticas. “Estamos a perder talento para o estrangeiro e enfrentamos uma grave escassez de profissionais — tanto técnicos especializados como quadros superiores”, alertou Bento Aires, Presidente da Ordem dos Engenheiros – Região Norte e Diretor dos Programas de Sustentabilidade no Imobiliário e Facility Management da Porto Business School. “Temos de acelerar a formação contínua e garantir que os profissionais se mantêm atualizados, especialmente com a chegada de novas tecnologias como a inteligência artificial.”

Atrasos na transposição de diretivas europeias, falta de fiscalização na fase de obra, ausência de mão-de-obra qualificada e resistência cultural foram apontados como os principais entraves. “A sustentabilidade está na legislação, mas não está na prática”, afirmou Madalena Azeredo Perdigão, Advogada, Sócia da CCA Law Firm, especialista nas áreas do direito imobiliário, urbanismo, turismo e ambiente. “Estamos há demasiado tempo a viver de recomendações quando já devíamos estar em fase de obrigações.”

A implementação de medidas sustentáveis nos edifícios — como materiais de baixa pegada ecológica, soluções de eficiência energética ou práticas de economia circular — é travada pela ausência de verificação. “Hoje, depois do licenciamento, ninguém confirma se o que está no papel é o que se executa”, afirmou João Sousa, CEO e fundador da JPS GROUP, uma das maiores promotoras imobiliárias em Portugal. “Quem cumpre sai penalizado.”
Nuno Baptista, coordenador do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE) na ADENE – Agência para a Energia, reforçou a urgência de preparar o setor para os novos requisitos europeus. “A próxima Diretiva Europeia da Eficiência Energética dos Edifícios trará metas muito concretas de emissões de carbono ao longo do ciclo de vida dos edifícios. E países como a Finlândia ou a França já estão a liderar esse processo. Portugal, infelizmente, ainda assiste da bancada.”

Um dos caminhos mais promissores identificados é a industrialização da construção, que permite redução de tempo, custos e emissões, com vantagens em sustentabilidade e desempenho energético. Contudo, subsiste resistência do mercado. “Há ainda um preconceito enraizado contra a construção pré-fabricada, associando-a a má qualidade — o que já não corresponde à realidade”, explicou João Sousa. “É preciso mostrar que este modelo é eficaz, rigoroso e sustentável.”

Ana Pinho, Arquiteta, Professora Associada Convidada da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, Investigadora do CIAUD – Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design e ex-Secretária de Estado da Habitação, alertou para um problema estrutural: “A nossa realidade é marcada por pobreza energética, edifícios envelhecidos e uma esmagadora percentagem de pequenos proprietários. A sustentabilidade ainda não é prioridade para muitos porque a urgência é sobreviver — mas isso tem de mudar.”

Na reta final, o debate apontou caminhos de ação concretos: reforçar a fiscalização, integrar entidades privadas no controlo de obra, promover certificações voluntárias e tornar a sustentabilidade um fator visível e valorizado nas transações imobiliárias. “Temos de dar ao consumidor final informação acessível e clara sobre o impacto ambiental e energético da sua casa, seja no momento da compra ou do arrendamento”, defendeu Ana Pinho.

O debate fechou com um apelo transversal: a sustentabilidade na construção depende da responsabilidade partilhada entre promotores, projetistas, administração pública, setor financeiro e consumidores. E exige, acima de tudo, visão estratégica a longo prazo.

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