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Houve sala cheia para debater os desafios e as oportunidades de crescimento entre a União Europeia e os países do Mercosul

No passado dia 27 de março, os desafios que se colocam aos produtores europeus e as oportunidades de crescimento e cooperação num mercado alargado e cada vez mais exigente foram os temas centrais da conferência “Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul”, integrada na 58ª Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação de Braga, com organização do Grupo de Trabalho de Engenharia Agronómica da Ordem dos Engenheiros da Região Norte (OERN) e a Delegação Distrital de Braga da OERN, com o apoio do Colégio de Engenharia Agronómica da OE

A importância estratégica do acordo entre a União Europeia e o Mercosul esteve em debate numa conferência que reuniu especialistas, académicos e profissionais do setor agrícola, destacando desafios e oportunidades para Portugal e para a Europa.

A sessão de abertura contou com a intervenção de Raul Jorge, Presidente do Colégio Nacional de Engenharia Agronómica da Ordem dos Engenheiros, que sublinhou a relevância do evento e a qualidade dos oradores e a articulação entre os órgãos regionais e nacionais da Ordem.

Com uma intervenção com um particular foco nos alunos e futuros Engenheiros e Engenheiras presentes nesta conferência, Bento Aires, Presidente do Conselho Diretivo da OERN, destacou o papel da Ordem dos Engenheiros na garantia da qualidade dos serviços prestados à sociedade, valorizando o papel do ensino e dos futuros engenheiros. Para além disso sublinhou o papel da União Europeia no apoio à agricultura como suporte aos consumidores, reforçando a necessidade de instituições e profissionais se aliarem para prestarem um serviço melhor à sociedade, sem descurarem as suas próprias necessidades.

O Coordenador do Grupo de Trabalho de Engenharia Agronómica da OERN, Adelino Bernardo, perante uma sala cheia, realçou a importância da presença de profissionais de diferentes setores em especial os responsáveis pelo promoção e classificação do nosso Sistema Importante do Património Agrícola Mundial do Barroso, introduzindo depois as palestras que esclareceram muitas das questões implicadas por este acordo.

O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, defendeu que o acordo representa uma oportunidade para Portugal, nomeadamente na expansão de mercados para produtos como vinho, azeite e queijos. Lembrou que o Mercosul é um mercado de 270 milhões de pessoas, no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, perfazendo um impacto que abrange mais de 800 milhões de pessoas, esperando-se assim uma repercussão de grande escala e bastante positivo para a economia nacional. Terminou sublinhando a importância de garantir reciprocidade, segurança alimentar e cumprimento de normas ambientais e acrescentando que o tema deve ser amplamente debatido e por isso importa haver mais fóruns como este.

O painel de palestras evidenciou a diversidade de perspetivas sobre o acordo UE–Mercosul. Entre os oradores, o investigador da EMBRAPA, Alcido Wander, apresentou o acordo como uma iniciativa estratégica num contexto global marcado por instabilidade e preocupações com a segurança alimentar. Sublinhou a complementaridade entre os blocos, com o Mercosul a destacar-se na produção de alimentos e a UE em produtos de maior valor acrescentado. Referiu ainda os desafios associados às exigências ambientais e sanitárias, bem como a necessidade de garantir previsibilidade regulatória.

Do ponto de vista económico e político, Arlindo Cunha, ex-Ministro da Agricultura e ex-Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, enquadrou o acordo no contexto das relações históricas entre a Europa e a América do Sul, destacando a sua natureza abrangente, que vai além do comércio, incluindo áreas como investimento, ambiente e governança. Salientou que, embora existam riscos, o acordo incorpora mecanismos de salvaguarda e reflete a necessidade de a União Europeia reforçar alianças estratégicas num cenário global em transformação.

Já numa perspetiva setorial, Vítor Gonçalves, Engenheiro Zootécnico pela UTAD PEC Nordeste, alertou para os desafios no mercado da carne de bovino, destacando a diferença de preços entre a produção europeia e a do Mercosul. Referiu a necessidade de diferenciação dos produtos europeus, nomeadamente através de Indicações Geográficas Protegidas, como forma de manter a competitividade.

Por sua vez, Frederico Barreiros Mota, do grupo Sonae “Clube de Produtores Continente”, destacou o acordo como uma mudança estrutural com efeitos de longo prazo, defendendo que o sucesso dependerá da sua implementação e do reforço da competitividade agrícola. Sublinhou a importância da diferenciação, da sustentabilidade e da confiança na cadeia alimentar, baseada na qualidade, segurança e transparência.

Como forma de resumir e apresentar os resultados destas intervenções Ana Aguiar, vogal do Colégio Nacional de Engenharia Agronómica da Ordem dos Engenheiros, procedeu às conclusões evidenciando os temas mais críticos que foram discutidos e dando por terminado o momento dedicado às palestras.

Leonel Cunha e Silva, Delegado Distrital da OERN, realizou o encerramento desta conferência, onde enalteceu a qualidade do evento e reforçou o papel da Europa como referência global em regulação, sublinhando a importância da engenharia na resposta aos desafios futuros.

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