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Portugal arrisca “consumo de três planetas”: engenheiros exigem viragem cultural na sustentabilidade

A primeira tertúlia “Engenharia 2050: Sustentabilidade 360”, coincidiu com a publicação do PAEC 2030 e reforçou a urgência de uma transformação estrutural no setor, marcada por baixa circularidade, ineficiência de recursos e riscos geoestratégicos.

A 24 de março de 2026, a Comissão de Especialização em Sustentabilidade da Ordem dos Engenheiros, em parceria com a OERN, realizou a sua 1ª tertúlia dedicada ao papel estratégico do eco desenvolvimento. O encontro ganhou relevância adicional por ocorrer no mesmo dia em que foi publicada, em Diário da República, a Resolução do Conselho de Ministros n.º 58/2026, que aprova o Plano de Ação para a Economia Circular 2025–2030 (PAEC 2030).

O diagnóstico que enquadrou o debate é contundente: Portugal apresenta uma taxa de circularidade de apenas 2,8%, muito abaixo da média europeia de 11,8%. O setor da construção, responsável por 61,7% dos materiais que entram na economia, mantém-se como o maior produtor de resíduos. A persistência do modelo linear, alertaram os intervenientes, poderá conduzir a um consumo equivalente a três planetas até 2050.

A sessão abriu com a intervenção de Bruno Henrique Santos, Coordenador da Especialização, e foi moderada por Jorge Cristino, co‑Chair. O debate contou ainda com a participação de Ana Quintas, Country Lead da Sustenuto e vogal do Conselho Diretivo da OERN, e de Fernando Leite, CEO da Lipor.

Da discussão emergiu um consenso: o entrave principal é cultural. Apesar de existir legislação, faltam mecanismos eficazes de implementação. A responsabilidade alargada do produtor continua pouco aplicada e Portugal destaca-se negativamente no desperdício alimentar. A literacia ambiental desde cedo e o combate ao greenwashing foram apontados como pilares essenciais para inverter o cenário.

Entre as propostas debatidas destacou-se a criação de um sandbox regulatório que permita testar modelos de negócio baseados na valorização de resíduos. A experiência da Lipor, com comunidades de energia a 76 €/MWh, foi apresentada como prova de competitividade. Exemplos internacionais, como o dos Países Baixos, mostram que ecossistemas industriais integrados num raio inferior a 250 km são mais eficientes — argumento que reforça a necessidade de reindustrialização nacional como estratégia de resiliência.

A dimensão geoestratégica marcou o debate. A segurança energética e a gestão de recursos foram tratadas como questões de soberania nacional, especialmente num contexto global de instabilidade. A dependência de cadeias longas e de materiais críticos importados representa uma vulnerabilidade que a circularidade pode mitigar. Valorizar resíduos como ativos territoriais e reforçar o uso de recursos endógenos foram apresentados como imperativos para a engenharia contemporânea.

O PAEC 2030 introduz obrigações concretas: ecodesign obrigatório, novos requisitos para produtos de construção, contratação pública ecológica, reporte de sustentabilidade ao abrigo da CSRD e uma avaliação intercalar em 2028. A sustentabilidade deixa, assim, de ser um diferencial competitivo para se tornar condição essencial do exercício profissional.

A Especialização em Sustentabilidade da Ordem dos Engenheiros assume-se, neste contexto, como um espaço de reflexão estratégica e conceptual, garantindo que os engenheiros não apenas acompanham a transição, mas a lideram em todas as fases do ciclo de vida dos ativos.


REVEJA A TERTÚLIA AQUI

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