Partilhe

Entrevista a Fontaínhas Fernandes, reitor UTAD

Ciclo de entrevistas exclusivas da Plataforma de Notícias da OERN (HaEngenharia.pt) aos reitores das Universidades, presidentes dos Institutos Politécnicos e  diretores das instituições de ensino de Engenharia.
  António Fontaínhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)  e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas partilha connosco uma visão geral sobre o futuro e sobre o atual momento lembrando que "os profissionais de Engenharia vão ter um papel acrescido e vital para a valorização do país" e por isso apela a que "acreditem no futuro e na Engenharia”. Para o Reitor da UTAD  "no cenário de pós pandemia é previsível que, dada a situação do país em termos de dívida pública, se avizinhem tempos difíceis nos próximos anos, com reflexos ao nível social, económico e financeiro. " mas não deixa de lembrar que "o prestígio alcançado pela Engenharia portuguesa nas últimas décadas e a dinâmica continuada permitem, seguramente, cimentar a certeza do seu valor económico e social para o futuro do território e do país."   Como vê os projetos que as Universidades e Politécnicos estão a desenvolver em grande escala para combater a Covid-19? As Universidades, num primeiro momento, disponibilizaram equipamentos e material de proteção para fins médicos, bem como instalações para apoiar no combate à COVID-19. Em paralelo, as unidades de investigação têm vindo a realizar testes de diagnóstico da COVID-19 de forma a aumentar a capacidade de testagem nas áreas geográficas onde estão situadas, mas também novas soluções que exigem tecnologia e inovação. A UTAD tem apoiado diversas iniciativas em articulação com as autoridades de saúde local e governamentais visando a proteção da comunidade, disponibilizando por exemplo ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro equipamentos e materiais com finalidades médicas, um espaço para acomodar um Centro de Acolhimento Temporário para idosos provenientes dos lares. Por outro lado, integra uma rede cientifica com diversas instituições que estão a desenvolver testes à COVID-19. Adicionalmente, a UTAD está a dinamizar uma campanha de mobilização de voluntários de estudantes na área da Saúde.   Há uma exigência extra para os engenheiros, dos quais se espera proatividade e soluções para ajudar a combater o vírus? Os profissionais de Engenharia têm vindo a desempenhar um papel interventivo no desenvolvimento de soluções, designadamente na produção de ventiladores, de viseiras, entre muitos outros produtos, alguns dos quais estão em fase de conceção e de testagem.   Espera que os seus atuais e antigos alunos possam fazer a diferença? Os estudantes de Engenharia da UTAD desenvolveram as suas competências num campus que inclui todas as áreas de formação, o que indubitavelmente potencia a multidisciplinariedade. Este conceito é determinante para o desenvolvimento de novas ideias, novos produtos, serviços e processos, gerando benefícios ao nível económico e social. Em que áreas da Engenharia prevê uma maior atividade no pós pandemia? Quais  podem ter uma janela de oportunidade no final desta crise? No cenário de pós pandemia é previsível que, dada a situação do país em termos de dívida pública, se avizinhem tempos difíceis nos próximos anos, com reflexos ao nível social, económico e financeiro. Neste contexto, os profissionais de Engenharia vão ter um papel acrescido e assumir um papel prioritário na produção de novos produtos, de tecnologias inovadoras e de novas ideias, vitais para a valorização do país. As novas tecnologias e o ensino à distância provaram que há margem para outras formas de ensino que não o tradicional. Acredita que haverá uma mudança de paradigma na forma como o ensino é lecionado? No atual cenário de pandemia, as instituições de ensino superior deram uma resposta rápida no desenvolvimento de estratégias de ensino à distância. Contudo, o futuro exige que as Universidades se preparem para os desafios societais. Por exemplo, a robotização e a inteligência artificial, conjuntamente com as rápidas mudanças tecnológicas, tanto ao nível dos produtos como dos processos, apelam a uma formação inicial avançada e, em função de uma permanente procura de novas competências, à educação ao longo da vida, no âmbito da qual ganham relevo novos formatos de formação contínua, de que se destaca, em especial, o ensino à distância, que recorre a modernas ferramentas tecnológicas. Como espera que seja o retorno à normalidade numa instituição com milhares de alunos como a UTAD? O retorno progressivo da dimensão presencial em todas as vertentes de atividade da Universidade deverá ser faseado, desde logo iniciando-se com o reforço do atendimento de alguns serviços, dos laboratórios de investigação e na prestação de serviços especializados. O processo de retorno à normalidade deverá ser planificado, participado e envolver o maior número de pessoas da comunidade académica, tendo em linha as orientações emanadas pelas autoridades competentes no combate à pandemia da Covid-19. Como pode a Ordem dos Engenheiros ter um papel mais ativo e determinante no pós pandemia e no apoio aos seus membros. A Ordem tem mantido um papel de proximidade e de apelo a todos os seus membros para que se mantenham ativos nas suas funções e assumam uma posição serena e responsável, contribuindo para que o país lide da melhor forma com a crise que agora se enfrenta. Deve no futuro manter esta proximidade com os engenheiros, de forma a avaliar as melhores iniciativas para manter a confiança na Engenharia portuguesa.  Pedia-lhe uma mensagem para todos os engenheiros e estudantes de Engenharia que irão ler esta entrevista. Deixo uma mensagem de tranquilidade e de confiança e que, acima de tudo acreditem no futuro e na Engenharia. O futuro exige a consolidação de dinâmicas coletivas de abertura à sociedade, à inovação, de acesso à informação, de partilha de informação e de participação em redes de conhecimento internacionais, de forma a potenciar e a consolidar a marca Engenharia portuguesa. O prestígio alcançado pela Engenharia portuguesa nas últimas décadas e a dinâmica continuada permitem, seguramente, cimentar a certeza do seu valor económico e social para o futuro do território e do país. Para fechar: Há Engenharia em tudo o que há? Comente. A Engenharia ao longo do tempo tem vindo a afirmar-se no nosso pais e no mundo. Contudo, no Futuro, as questões do ensino, da investigação e da valorização do conhecimento na engenharia devem, cada vez mais, ser resolvidas, adotando metodologias sistémicas e transdisciplinares.    
Ciclo de entrevistas exclusivas da Plataforma de Notícias da OERN (HaEngenharia.pt) aos reitores das Universidades, presidentes dos Institutos Politécnicos e  diretores das instituições de ensino de Engenharia.
 
#1 Entrevista João Falcão e Cunha, Director da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP)
#2 Entrevista Pedro Arezes, Presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) 
#3 Entrevista João Rocha, Presidente do Politécnico do Porto
#4 Entrevista Fontaínhas Fernandes, Reitor da Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
   
Entrevista e texto: Catarina Soutinho / Design gráfico: Melissa Costa
 

+ Notícias

Fórum Ambiente: “são iniciativas como esta que contribuem para formar engenheiros mais conscientes, mais preparados e mais comprometidos com os desafios da sustentabilidade”

Investigação, Infraestruturas e Estratégias para o futuro em discussão na 17ª edição das Jornadas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente da FEUP

Fenómenos climatéricos, barragens e recursos hídricos: “Há Conversas de Engenharia” com Rui Cortes

TESTE TEXTO FORM ESTRA

The Ordem dos Engenheiros – Região Norte (OERN) is launching a special training offer aimed at foreign members, with the goal of supporting their professional integration and facilitating access to the Portuguese labor market.

These training programs were designed to address the specific challenges faced by foreign engineers when starting their professional activity in Portugal, particularly with regard to the legal and regulatory framework and the professional practices in force.

OERN recognizes that successful integration requires more than the recognition of qualifications. It requires clear information, proper guidance, and an understanding of the Portuguese professional context. By offering dedicated training programs, OERN reinforces its commitment to the integration of its foreign members, promoting equal conditions in the exercise of the profession and contributing to a more qualified and integrated engineering practice.

Discover the training courses available on this page.