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A Sede (Con)Vida | UAVs

12 de janeiro de 2017 | Engenharia Geográfica

A fantástica e polémica utilização de drones

Um dia antes da entrada em vigor do novo regulamento sobre a utilização do espaço aéreo por drones, a Ordem dos Engenheiros Região Norte promoveu uma sessão de apresentação das potencialidades do uso destes aparelhos na Engenharia e afirmou-se disponível para trabalhar para uma legislação progressivamente mais rigorosa.

A sessão A Sede (Com)Vida, organizada pelo Colégio de Engenharia Geográfica, teve por tema “A utilização de Unmanned Aerial Vehicle (UAVs) na Engenharia” e juntou, na sede da OERN, no Porto, especialistas da manipulação destes aparelhos, assim como de tratamento dos dados, empresas privadas e municipais, e profissionais da aeronáutica e da recolha de imagens.


Óscar Moutinho apresentou a empresa nascida na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e Eye2Map, vencedora da European Satellite Navigation Competition e financiada pela Agência Espacial Eruopeia, e que oferece soluções de mapeamento aéreo através da utilização de drones. “A vantagem dos drones é que têm um custo operacional bastante reduzido”, sublinha. Entre as várias aplicações possíveis dos dados adquiridos por drones, seja na agricultura para um planeamento de rega mais eficaz, na floresta para um inventário mais preciso, ou na avaliação de volumetria das zonas costeiras, o diretor executivo mostrou como a os trabalhos de Engenharia podem beneficiar com o recurso a estes aparelhos.

Os principais campos de aplicação na Engenharia são, na Eye2Map, a cartografia, o levantamento topográfico “a que agora acresce a imagem que normalmente não se teria”, a exploração mineira, “com apenas um dia de trabalho para levantamento de campo”, e ainda, na Engenharia Civil, a monitorização de estruturas e desgaste, o levantamento arquitetónico, usando os drones “como alternativa aos lasers terrestres”, o cadastro e a modelação 3D.

 

Resistência dos municípios quebrada pela qualidade e baixos custos

Apesar da resistência inicial, também o município de Vila Nova de Gaia já se rendeu aos drones e, através do projeto Gaia Drone Survey, tem recorrido a estes aparelhos para as suas atividades de inspeção e fiscalização de obras e estruturas.

Marco Lima de Carvalho, chefe da divisão de informações geográficas da GaiUrb, acredita, também, que esta é “uma ferramenta mais expedita para a atualização de cartografia através da criação de ortofotomapas, que continua a ser um problema nos municípios”. O melhor dos drones? “A elevada qualidade a baixo custo e a precisão dos dados”, apesar de ser apenas “aplicável a pequenas áreas devidos a restrições de altura de voo”.

Além da inspeção e da cartografia, o município de Vila Nova de Gaia recorre aos drones também para a gestão urbanística, o planeamento e a perceção de acessibilidades, a reabilitação urbana, proteção civil e a gestão da orla marítima e do ambiente. “Pretendemos criar novas metodologias na implementação e na gestão municipal, acima de tudo métodos mais inteligentes e eficazes”, sublinha Marco Lima Carvalho.

Com uma intervenção de teor mais técnico, José Alberto Gonçalves, professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, esclareceu a audiência sobre os aspetos do processamento fotogramétrico com drones, como é feito o processamento dos dados, o tratamento das fotografias, fórmulas matemáticas e outros aspetos a considerar, por exemplo, a sempre possível distorção da lente.

 

O engenheiro geógrafo mostrou como uma ortofoto não muito precisa pode ser tratada, defendendo a restituição fotogramétrica dos objetos através de um tratamento estereoscópio e manual. “Os produtos resultantes sem sempre são alternativa aos produtos cartográficos tradicionais”, sublinhou.

Uma lei ainda bacoca e todos a assobiar para o lado

Aberto o período de debate, a questão central andou sempre em redor do novo regulamento. Apesar de Óscar Moutinho acreditar que “temos uma legislação bastante favorável, ainda que muita gente pensasse que esta regulação seria muito restritiva”, do público ouviram-se algumas vozes preocupadas.

As principais alterações introduzidas pelo Regulamento 1093/2016 são a restrição de uso durante o dia e até uma altura de voo de 120 metros, prevendo uma coima máxima de 2.500 euros em caso de infração.

No entanto, o público lembrou que esta alteração nada fala do direito à fotografia aérea e que ainda vigora “uma lei bacoca”, sem referência à gestão da imagem das pessoas. “Estamos a voar na ilegalidade porque a legislação é inadequada, se calhar é excessiva, mas nós assobiamos para o lado. O problema é sério e as pessoas não estão suficientemente preocupadas”, ouviu-se na assistência.

 

No final, pelas palavras do presidente do Conselho Diretivo, a OERN mostrou-se disponível para “tentar influenciar futura legislação sobre este assunto”. “Sinto que há muito a fazer e uma potencialidade fantástica”, disse Joaquim Poças Martins. E acrescentou: “[foram aqui levantadas] questões estimulantes para que possamos fazer chegar um documento a quem produz a lei”.

 

 

 

 

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