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Encontro Técnico - Sistema de aproveitamento de águas pluviais em edifícios

16 de dezembro de 2016 | Engenharia do Ambiente

E se aproveitássemos a água da chuva?

O encontro técnico sobre sistemas de aproveitamento de águas pluviais em edifícios para fins não potáveis decorreu na passada terça-feira dia 13 de Dezembro, na sede da Região Norte da Ordem dos Engenheiros no Porto e contou com mais de 100 inscritos. A organização foi levada a cabo pelo Conselho Regional Norte do Colégio de Engenharia do Ambiente da Ordem dos Engenheiros, Eng.º Carlos Afonso, Eng.ª Cristina Calheiros e Eng.ª Marisa Costa.
 

Na atual conjuntura climática os Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais (SAAP) são ferramentas fulcrais a associar a estratégias de gestão urbana de águas pluviais e a integrar no ciclo da água, aplicando-se também em contexto rural. Neste enquadramento foram convidados vários especialistas para abordar esta temática.

 

Esteve presente como orador Armando Silva Afonso, presidente da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP) que veio à OERN dar a conhecer as especificações técnicas para o aproveitamento da água das chuvas e das águas cinzentas nos edifícios, referindo também que o Decreto Regulamentar 23/95, de 23 de Agosto, que aprova o regulamento geral dos sistemas públicos e prediais de distribuição de água e de drenagem de águas residuais, está em revisão e estará para breve a discussão pública do mesmo. Sublinhou que “a conceção dos sistemas prediais de distribuição de água e de drenagem de águas residuais deve obedecer ao princípio geral de maximização da eficiência hídrica nas instalações”, com a “salvaguarda do conforto, saúde pública e do desempenho”.

 

“As grandes preocupações da ANQIP são que o que se faz no âmbito da eficiência hídrica se faça ajustado às necessidades e condições específicas de Portugal e não sejam soluções importadas de países com climas e regras diferentes, e que seja feito com total segurança para os consumidores”, afirma o Armando Silva Afonso. O também presidente do Conselho Diretivo da OE Região Centro não deixou de lembrar a situação de carência quanto à disponibilidade de água que se vive em Portugal, a sexta maior pegada hídrica do mundo e numa área de grande stress hídrico. Segundo o presidente da ANQIP, “somos um país que tem um dos sistemas de rotulagem da eficiência hídrica mais avançados da Europa, com mais de 700 produtos já rotulados no mercado, mas isso parece ser desconhecido em Portugal”.

 

Aproveitar pelo princípio e não pelo retorno financeiro

Este encontro técnico, que encheu o auditório da OERN não apenas de engenheiros do ambiente, mas também de outros colégios e mesmo profissionais de outras áreas, contou também, com a apresentação do Portal da Construção Sustentável, na pessoa de Carlos Brandão, que se debruçou sobre as poupanças estimadas de água e a aplicação ao aproveitamento de águas pluviais.

 

Carlos Brandão apresentou algumas soluções já em vigor quanto a sistemas de recolha de águas pluviais, nomeadamente no que diz respeito à captação, filtragem, armazenamento e escolha do grupo hidropressor. Certo de que “o cliente instala um sistema destes mais depressa por princípio do que pelo retorno financeiro”, acredita o arquiteto, para quem o ideal em termos domésticos será sempre a “combinação de um sistema de recolha de águas pluviais com um sistema de aproveitamento de águas cinzentas”, enaltecendo a sustentabilidade dos processos. 

 

Vitor Almeida, responsável pelo projeto Água da Chuva, uma parceria da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e da Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMAS) de Beja, veio mostrar formas de responder à questão “porque não utilizamos a água das chuvas, uma água com boa qualidade, para fins não potáveis em grandes edifícios já existentes?”.

 

“A água das nossas torneiras é potável, mas nós damos-lhe outras utilizações desnecessárias, tornando-a cara”, afirma, sublinhando como entraves ao aproveitamento das águas pluviais a visão conservadora dos projetistas, o desconhecimento, a rentabilidade, a falta de obrigatoriedade ou a variabilidade do regime pluviométrico.

 

O estudo desenvolvido na cidade alentejana pretendia conhecer a viabilidade e as tecnologias possíveis para o aproveitamento de águas pluviais, como o tipo de cobertura dos edifícios. Entre as conclusões, a certeza de que “é possível comercializar água a menores custos, fornecer água onde ela não chega”, assim como potenciar a democratização do mercado da água e também diminuir os prejuízos com as inundações. Para o futuro, o projeto pretende lançar um software de cálculo e um manual “faça você mesmo”.

 

Da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Cristina Matos apresentou os resultados de diferentes casos de estudo sobre o aproveitamento de águas pluviais e águas cinzentas e a sua complementaridade, nomeadamente em urbanização, no Ecocampus da UTAD, em edifícios comerciais e em habitações unifamiliares.

 

Para a professora universitária, a aposta nestes sistemas não pode ser apenas uma questão financeira, mas ambiental, lembrando a falta de regulamentação como um dos principais entraves e ponto a ser estudado, a par dos custos elevados de instalação.

 

O futuro “obrigatório” das coberturas verdes

Durante o período de debate, para além de se sublinhar a importância da educação e formação da população, foi levantada a questão sobre a utilização de fito-etares no aproveitamento de águas pluviais assim como das coberturas verdes ao nível dos telhados. Armando Silva Afonso não tem dúvida de que o futuro será “cheio de coberturas verdes que, não sendo obrigatórias, pouco faltará: a conjugação de corredores verdes e aproveitamento de águas da chuva tem imensas vantagens, até do ponto de vista da adaptação às alterações climáticas”.

 

Com este encontro pretendeu-se informar sobre a viabilidade económica e legal dos SAAP e o retorno expectável assim como apresentar casos práticos implementados com forte responsabilidade social e ambiental. A gestão eficiente de água nos edifícios é uma pois questão premente e transversal a várias áreas do conhecimento e que assume um papel importante no âmbito da promoção de um desenvolvimento sustentável das sociedades.

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