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Grandes Entrevista de Engenharia ... Artur Machado

26 de julho de 2022 | Geral

 

O seu percurso militar começou em 2014 ao ocupar uma das três vagas existentes para Engenharia Mecânica Militar, na Academia Militar. Sete anos depois entrou em funções na Unidade de Apoio Geral de Material do Exército. Conheça o Engenheiro Artur Machado que lembra, a propósito do contexto atual, que: "a Engenharia assenta sobretudo em capacidades e é importante serem utilizadas em prol da paz."

 

PERFIL

Nome: Artur Machado

Idade: 26 anos

Formação: Engenharia Mecânica

Função atual: Comandante Pelotão de Reabastecimentos e Serviços

Empresa atual: Unidade de Apoio Geral de Material do Exército / Exército Português

 

 

Neste momento é Engenheiro Mecânico no Exército. O que faz exatamente um engenheiro no exército?

Eu estou neste momento colocado na Unidade de Apoio Geral de Material do Exército, em Benavente. Uma das missões desta Unidade é assegurar o fabrico de sobressalentes e componentes para apoio à manutenção. Para além das minhas funções de comando, é nesta área que me encontro a desenvolver soluções, essencialmente através do desenvolvimento de produto ou alteração dos existentes, dos quais se destacam os sistemas de armas como a viatura blindada de rodas Pandur II 8×8, as viaturas táticas, e o armamento ligeiro como FN SCAR-L e GLOCK 17.

 

E está também envolvido noutros projetos, nomeadamente no desenvolvimento de um exoesqueleto para membros inferiores

Sim, estou envolvido em dois projetos de I&DI do Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar (CINAMIL) em parceria com o Instituto Superior Técnico: o Enhancement Lite Exoskeleton 2 (ELITE2) que tem como objetivo o desenvolvimento de um exoesqueleto para membros inferiores, de duplo uso, visando a melhoria de desempenho humano – e do qual temos uma submissão de patente em processamento; e o Army Logistic Support through Additive Manufacturing (ALSAM) que tem como objetivo o estudo e implementação de soluções de fabrico aditivo no apoio à manutenção no Exército Português, quer em território nacional, quer a forças nacionais destacas, quer para o apoio a entidades civis.

 

 

Para a maior parte das pessoas, não há uma perceção real do trabalho de Exército. Como explicar a sua importância?

O Exército Português desempenha um papel vital na segurança e defesa do território nacional e dos cidadãos, assegurando a independência nacional, a integridade do território, e a liberdade e segurança das populações contra qualquer agressão ou ameaça externa. No contexto externo, o Exército é a voz ativa, juntamente com os outros ramos das Forças Armadas, no processo de afirmação militar da União Europeia e da NATO, e pela manutenção e reforço dos laços transatlânticos.  Ao Exército tem sido também solicitada uma resposta a novas e complexas missões, como missões de ajuda humanitária e apoio a populações civis, dentro e fora do território nacional, e de resposta a emergências, como a recente pandemia. Todas estas missões requerem muito treino, pois quando o Exército é chamado a intervir é necessária uma resposta de elevada prontidão e competência para que a missão seja cumprida com sucesso. 

 

No contexto mundial que vivemos, mais concretamente a guerra na Ucrânia, como vê o trabalho dos engenheiros?

Com a guerra da Ucrânia as capacidades militares têm sido reforçadas, incluindo a Engenharia. Por exemplo, as várias toneladas de material militar enviado para a Ucrânia são alvo de verificação, a fim de garantir que o material se encontra em perfeitas condições de operação, o que inclui tarefas de reparação e ensaios. Também no contingente Português de 174 militares, que partiu para a Roménia para reforçar o flanco sudeste da NATO, conta com Engenheiros, os quais são responsáveis pela área de manutenção dos sistemas de armas, armamento e equipamentos e pelas comunicações dos nossos militares.

 

 

 

De que forma a Engenharia, para além do óbvio, pode contribuir para a paz? Esta é uma pergunta difícil, porque a Engenharia está muito presente na área militar….

A Engenharia assenta sobretudo em capacidades, as quais é importante serem utilizadas em prol da paz. Graças à Engenharia, os países têm hoje sistemas de defesa e proteção que funcionam como dissuasão e permitem às nações se protegerem de ofensivas internas e externas.  Para além disso, utilizando o contexto das sanções à Rússia, que provocam efeitos colaterais aos próprios países, a Engenharia volta a entrar em ação, para responder aos novos desafios como autonomia energética, alimentar, e para encontrar formas mais eficientes de responder às necessidades atuais para contrariar as subidas dos preços. 

 

Que tipo de engenheiros têm mais possibilidade fazer carreira no exército?

A Academia Militar é a instituição de ensino superior universitário militar que leciona os cursos com acesso direto aos quadros permanentes. A nível das engenharias, existem três: Engenharia Mecânica Militar, Engenharia Eletrotécnica Militar e Engenharia Militar. Para além destas, existem vagas para os regimes de contrato de 2 a 6 anos, definidas pelo Exército, para portugueses com uma licenciatura ou mestrado, em engenharias nas áreas de informática, eletrotécnica, sistemas, software, mecânica automóvel, eletrónica auto, entre outras.

 

 

Quais os skills que acha fundamentais terem?

As hard skills são um pilar do qual é impossível prescindir na Engenharia. Contudo, estas podem ser potenciadas com as soft skills. No meu ponto de vista, as hard skills conjugadas com inteligência emocional, comunicação assertiva, tomada de decisão, liderança e adaptabilidade permitem atingir melhores resultados. Há, ainda, uma soft skill que eu destaco especialmente, a iniciativa – é a que pode mais fazer a diferença.

 

Como vê a Engenharia que se faz em Portugal, na sua área em concreto. Consegue identificar o melhor e o pior?

Creio que a Engenharia tem sido um dos destaques daquilo que Portugal faz de melhor, e tornam este país um atraente innovation Hub. A quantidade de unicórnios com ADN português supera países como Espanha e Itália. Os unicórnios como a OutSystems e a Feedzai, onde a Engenharia é em si a área de negócio, bem como outras por exemplo a Farfetch que recorreu a Engenharia para atingir o patamar em que hoje se encontra, são a prova disso mesmo. Outro sinal de qualidade, são as multinacionais como Delloite e Accenture que desenvolvem serviços em Portugal e empregam uma quantidade considerável de engenheiros “made in portugal”. No polo oposto creio, está a dificuldade das empresas conseguirem segurar um Engenheiro e em terem acesso aos avanços tecnológicos para darem um salto qualitativo.

 

 

Sendo Engenheiro, inscrito na Ordem, qual acha que deveria ser o papel da Ordem?

Eu vejo a Ordem dos Engenheiros como uma entidade com um papel importante no pós universitário, com uma presença dinâmica na formação e enriquecimento continuo dos Engenheiros em Portugal, a fim de manter os engenheiros portugueses, durante toda a sua carreira, ao nível do melhor que se faz em Portugal e no mundo.

 

Nomeie um engenheiro que esteja a desenvolver um trabalho que aprecia, dentro ou fora de Portugal.

A minha nomeação vai para Major e Engenheiro Luís Quinto pela visão e pelo trabalho que tem desenvolvido em prol da Engenharia, sobretudo através na Investigação, desenvolvimento e inovação, no Exército Português.

 

Que conselho poderia dar aos que agora estão a entrar para um curso de Engenharia e também para aqueles que estão a concluir?

Na minha visão, sugiro que se exponham aos desafios e sempre “levar a carta a Garcia”. O trabalho é a base do sucesso – Work Hard Dream Big.

 

 

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