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"A nossa atividade (Engenharia Civil) é essencial"

22 de abril de 2020 | Engenharia Civil
Ciclo de entrevistas a engenheiros Civis que durante o estado de emergência continuaram no ativo a construir o futuro. Um exclusivo da Plataforma da Notícias da Ordem dos Engenheiros - Região Norte (HaEngenharia.pt). 

 

 

PERFIL

Nome: Duarte Almas

Idade: 38

Empresa: The Fladgate Partnership

Função: Diretor de Fiscalização e Representante do Dono de Obra

Obra atual: World Of Wine – Vila Nova de Gaia

 

 

As atuais restrições devido à Covid-19 tiveram impacto na sua atividade profissional? A que nível?

Sim, era expectável que tal sucedesse, pois, este vírus continua muito desconhecido para o cidadão comum. No início foi o “pânico” generalizado com as medidas que seriam adotadas pela DGS/OMS e com o modo como era transmissível esta doença, pois a dada altura a percentagem de fake news era quase idêntica às notícias reais. O desconhecimento das medidas governativas em termos de estado de emergência, levou a um “abandono” em massa logo no dia da declaração da 1ª Fase, pois todos julgaram que haveria uma quarentena geral. No entanto nas semanas posteriores os níveis de foram sendo recuperados. Neste momento estamos quase com os mesmos níveis anterior ao COVID-19. Outro dos impactos verificados foi no fornecimento de equipamentos/materiais que se encontram suspensos, falo principalmente daqueles provenientes de Itália, França e Alemanha. Tal facto demonstra a enorme dependência que o nosso sector está sujeito.

 

 

 

 

 

Que medidas tomou para se manter no ativo no seu posto de trabalho?

No início de março e, tendo em conta o que já estaria a acontecer na Itália e Espanha, solicitou-se de imediato a todos os empreiteiros/fornecedores o envio dos respectivos planos de contingência, de modo a percebermos de que forma os mesmos iriam preparar-nos para os tempos que aí vinham. Assim que foi declarado o estado de emergência e, verificando nós, que o sector da construção não se encontrava abrangido, colocamos logo em prática os planos de contingência em acção, sendo efetuadas as revisões/adaptações necessárias ao longo destas últimas semanas com os dados da DGS/OMS.

As principais medidas tomadas foram:

- Reuniões por videoconferência (ainda antes da declaração)

- Divulgação e afixação dos panfletos disponibilizados na DGS por todo o estaleiro, com cumprimento das diretrizes em vigor;

- Disponibilização de termómetro nas portarias (pelo empreiteiro geral);

- Distribuição de máscaras e luvas aos colaboradores (pelos empreiteiros/fornecedores)

- Disponibilizada uma clínica (pelo empreiteiro geral e para os seus colaboradores) para casos que necessitassem de isolamento e também médico 3 vezes por semana

- Zonas de refeitório com horários/turnos alargados e criação de novos espaços (disponibilizado serviço de take-away)

 

 

Terminada esta fase, como irá adaptar-se para retomar o seu trabalho em pleno?

Durante esta pandemia, o desempenho das minhas funções foi afetado essencialmente no que a reuniões presenciais diz respeito, pois, as decisões in loco continuam a ser necessárias e como tal têm de ser tomadas, com as devidas precauções e distanciamento (não é possível a execução de empreitadas por teletrabalho a 100%). Se considerarmos a retoma em pleno, comparada com o passado, entendo que a mesma não irá acontecer. Tendo em conta a aprendizagem recente, retomarei com o devido distanciamento e no essencial seguir com métodos testados durante esta fase e que se tornaram efetivamente mais produtivos.

 

 

Na sua opinião, que efeitos terá este período na atividade do Engenheiro Civil?

Mantendo-se a falta de investimento que já se começa a verificar, mantendo-se as limitações no turismo existentes, a atividade do engenheiro Civil será, infelizmente, bastante afetada, na minha opinião para níveis da anterior crise. Aqueles que entendo que serão mais afetados serão os colegas que desempenham as suas funções em empresas muito focadas na construção de novos empreendimentos e/ou reabilitação de edifícios e por conseguinte os colegas que desempenham as suas funções em gabinetes de projeto.

 

 

 

 

 

Que recomendações, sugestões ou tipo de ações entende que poderão minimizar o impacto negativo na Engenharia Civil?

Em termos económicos, o Governo deve tomar medidas que permitam compensar o esforço financeiro que as empresas estão a ter, pois segundo a declaração de emergência (e embora não referido) a nossa atividade é considerada essencial. Sabemos que essa compensação é difícil, mas algo terá de ser feito.  No que à operação diz respeito as empresas do sector foram o exemplo e tomaram a liderança na tomada de medidas que visaram mitigar a propagação, ao mesmo tempo (e não menos importante) não pararam! Os modelos de negócio que até aqui tinham sucesso continuarão a existir, contudo é minha convicção que em alguns sectores terão de ser revistos, nomeadamente naqueles em que seja compatível com o teletrabalho. Apostar mais no “que é nosso”, para não estarmos muito dependentes do exterior, é uma sugestão. Se colocarem esta questão a outra pessoa, certamente terá outras sugestões também elas válidas.

 

 

 

 

 

Que outra mensagem gostaria de deixar a quem irá ler esta entrevista?

Gostaria de deixar uma mensagem de solidariedade a quem todos os dias se dirige para o seu local de trabalho com esperança e motivação para que a vida não pare, lutando não só pelo seu emprego, mas lutando acima de tudo por um País, Portugal! Nesta fase que o nosso País atravessa é muito importante que continuemos a manter o distanciamento social e seguir as orientações que devem ser tomadas antes de sairmos de casa. Espero que todos nós possamos pensar no que se está a passar neste momento e no que irão fazer quando esta crise passar, pois ela irá passar! Vamos todos ficar bem!

 

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