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HÁ ENGENHEIROS NA CASA DE PAPEL PORTUGUESA

20 de abril de 2018 | Geral

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Perfil

 

Nome: Vítor Castro

Idade: 37

Formação: Engenharia de Sistemas e Informática (LESI)

Instituição de ensino: Universidade do Minho

Função: CISO - Chief Information Security Officer (Coordenador de Segurança de Informação)

Local: Imprensa Nacional - Casa da Moeda (INCM)

Anteriores: Multicert e DouroAzul

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É discreto, calmo, organizado e obstinado. Depois da certificação eletrónica da Multicert, onde trabalhou na implementação do Passaporte Electrónico Português e o Cartão de Cidadão Português; e dos cruzeiros da DouroAzul, Vítor Castro chega à Casa da Moeda portuguesa, numa altura em que o nome “Casa da Moeda” é repetido à exaustão um pouco por todo o mundo. Qual a sua opinião sobre a série? “É uma pergunta que me fazem com frequência”, responde com um sorriso.

Vítor Castro partilha a sua visão sobre a Engenharia, as startups, a Ordem dos Engenheiros e, vai mais longe, lembrando que, paralelamente aos engenheiros informáticos, que saem das universidades com emprego garantido, há aqueles que desempenham funções muito pouco atrativas. A sorte dá muito trabalho, poder-se-ia dizer, e Vitor Castro disse-o: “raros são os momentos em que posso dizer que tive sorte”.

Conheça um pouco melhor o perfil do Engenheiro Informático, membro do Colégio de Engenheira Informática da Ordem dos Engenheiros – Região Norte.

 

NUNCA O NOME "CASA DA MOEDA" ESTEVE TÃO NA MODA. A SÉRIE "LA CASA DE PAPEL TORNOU-SE UM FENÓMENO MUNDIAL. COMO COORDENADOR DE SEGURANÇA DE INFORMAÇÃO DA IMPRENSA NACIONAL - CASA DA MOEDA, E PARA TODOS OS FÃS DA SÉRIE QUE IRÃO LER ESTA ENTREVISTA, QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE O ARGUMENTO DO PONTO DE VISTA DA ENGENHARIA.

Confesso que ainda não vi a série, mas tenho de arranjar algum tempo para a ver pois é uma pergunta que me fazem com frequência. Pelo que sei é uma série de ação com laivos de romance. Há vários anos que está na moda a televisão produzir ficção ou programas onde a ciência e a Engenharia são utilizadas como um conceito "sexy" que cativa o público pela curiosidade e pelo enigma. Presumo que seja uma série com todos estes condimentos. No mundo real provavelmente teriam de ter mais "engenho e arte" para conseguir levar a cabo tal plano. Nada é seguro a 100%, mas também não é certamente tão fácil como a ficção mostra na maior parte das vezes.

 

REFERE-SE ÀS QUESTÕES DE SEGURANÇA?

A segurança hoje em dia não é pensada para ser infalível, mas sim para introduzir dificuldade a quem tenta transpô-la. Quando a este conceito somamos várias medidas de segurança, incrementamos as dificuldades a quem pretende quebrar a segurança dos sistemas lógicos e físicos das instituições.

Boa parte dos maiores génios da sociedade atual trabalham nas tecnologias da informação, mas diria que há um equilíbrio natural na distribuição da inteligência pois a ciência e a Engenharia têm sabido evoluir e, na maior parte das vezes, conseguem estar um passo à frente. A maior vulnerabilidade da esmagadora maioria dos sistemas, é o ser humano...e é por aí que começa a (in)segurança.

 

 

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NA IMPRENSA NACIONAL - CASA DA MOEDA A SEGURANÇA É ALGO FUNDAMENTAL, NATURALMENTE...  

Sim, numa empresa como a INCM, trabalhamos a segurança todos os dias, respira-se segurança nos nossos projetos, nos nossos processos de trabalho, é uma constante e não uma variável na equação.

Ser CISO da INCM, permite-nos utilizar os conhecimentos de Engenharia em vários momentos, desde a otimização de processos associados à implementação de normas internacionais, gestão de Projectos para o cidadão, aplicando diariamente conhecimentos de segurança da informação, criptografia, redes e comunicações, administração de sistemas e, de simplificar o que é complicado. Aqui aprendi que os problemas não são complexos, a forma como os pensamos e criamos soluções é que pode ser complexa.

 

O QUE FAZ EXATAMENTE UM CHIEF INFORMATION SECURITY OFFICER, TAMBÉM CONHECIDO POR CISO (COORDENADOR DE SEGURANÇA DE INFORMAÇÃO)?

Apoio a gestão de projetos de produtos de segurança a nível nacional e internacional
Como principais responsabilidades, destaco a implementação de práticas de segurança segundo a norma ISO/IEC 27001:2013, a monitorização e manutenção de práticas PCI para produção e personalização de cartões bancários, a gestão do projeto de criação do Sistema de Certificação Eletrónica do Estado de Moçambique, participação ativa em diversos projetos internos na ótica da identificação civil.

 

MAS PARA AQUI CHEGAR O SEU PERCURSO COMEÇOU COMO QUALQUER OUTRO: COM UM ESTÁGIO.

Comecei como estagiário de administração de sistemas na Multicert, uma referência nacional no setor da certificação eletrónica, que embora não fosse a que me dava melhores garantias de remuneração, foi a que apresentou o projeto mais desafiador, tendo colaborado na implementação de Projectos como o Passaporte Electrónico Português e o Cartão de Cidadão Português.  A Multicert foi uma excelente experiência profissional, onde melhorei a minha formação em Engenharia. Criávamos muito, com pouco, utilizando tecnologias OpenSource em praticamente todas as soluções que entregávamos, mas com a qualidade dos melhores produtos do mercado. Lá diz o ditado que a necessidade aguça o engenho, não é?!

 

MAS DEPOIS MUDA PARA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE…

Ao fim de uma excelente experiência na Multicert, surge a oportunidade de ingressar na DouroAzul que tinha então um projeto ambicioso de reorganização e crescimento da estrutura de Sistemas de Informação, para dar resposta à adoção de práticas digitais nos seus processos internos, e também na construção naval com a disponibilização de cada vez mais tecnologia na experiência que proporcionavam ao cliente, vencendo dificuldades das geografias fluviais, condicionantes da indústria naval e o rigor e qualidade exigido por clientes que procuram serviços de 5 estrelas.
A DouroAzul tornou-se um desafio fantástico pois os objetivos ambiciosos eram inversamente proporcionais ao tempo para os implementar, tendo criado diversas situações em que temos de adicionar ao engenho, a capacidade de otimização de processos, com uma boa dose de gestão.

 

A SUA CARREIRA É LIGADA A EMPRESAS DE REFERÊNCIA NO SETOR ONDE OPERAM, É PRECISO FAZER SACRIFÍCIOS PARA SE CRESCER NA CARREIRA? 

Não sei se temos forçosamente de fazer sacrifícios para atingir o patamar a que cheguei, mas sei que raros são os momentos em que posso dizer que tive sorte. Olhando para trás, a uma certa distância, posso dizer que a maioria dos momentos mais difíceis foram excelentes experiências de vida, de aprendizagem e superação.

 

EM QUE SENTIDO O QUE FAZ IMPACTA COM A VIDA DAS PESSOAS?

Impacta muito porque trabalhar na INCM obriga-nos a pensar no serviço e respeito pelo cidadão. Participar em projetos que simplificam o acesso das pessoas aos serviços, evitar perderem dias em filas de espera, conferir valor legal a atos que posso fazer sentado em casa, ou quando estou do outro lado do mundo, a trabalhar ou de férias, é muito bom. Essa é a melhor parte!

 

DIZ-SE QUE NÃO FALTA EMPREGO AOS ENGENHEIROS INFORMÁTICOS. QUE AS EMPRESAS VÃO "BUSCAR" ESSES PROFISSIONAIS ÀS UNIVERSIDADES MESMO ANTES DE ELES TEREM TERMINADO O CURSO. É VERDADE? TAMBÉM PASSOU POR ISSO?

É verdade quando são "diamantes em bruto". Mas também há licenciados em Engenharia Informática e noutras licenciaturas do ramo, que estão em funções pouco atrativas, que pouco ou nada têm de Engenharia. Sempre pensei que o caminho faz-se percorrendo-o, não se chega ao fim de nada parando a meio. Conheço vários casos que nunca terminaram os cursos e outros que levaram quase uma década a consegui-lo. É apelativo para um estudante ir ganhar dinheiro e tornar-se verdadeiramente independente dos pais, de uma hipoteca, de um trabalho que não se gosta, mas ajuda a pagar os estudos e em alguns casos, comprometeram a carreira deles porque acabaram por não construir bons alicerces.

 

 

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ALGUM ENGENHEIRO INFORMÁTICO QUE ESTEJA A LER ESTA ENTREVISTA E QUE PENSE EM TRABALHAR NA SUA ÁREA, QUAIS OS SKILLS QUE ACHA FUNDAMENTAIS TEREM?

Essencialmente "soft skills" que hoje em dia são promovidas no seio das empresas. Porém há duas que, cada vez mais, considero serem fundamentais: a atitude e a resiliência. As competências técnicas podemos adquiri-las com maior ou menor esforço, mas a atitude faz parte de nós, da nossa forma de ver as soluções, da nossa forma de enfrentar os desafios e ultrapassar as dificuldades, enquanto que a resiliência é o que nos faz aprender com os erros e um dia superar um desafio ainda maior.

 

MULTINACIONAIS COMO A GOOGLE, A CISCO, ENTRE MUITAS OUTRAS COMEÇAM A OLHAR PARA PORTUGAL COMO UM BOM PAÍS PARA AS SIUA SEDES. ACHA QUE É TAMBÉM UM REFLEO DA QUALIDADE DA NOSSA ENGENHARIA?

Sem dúvida. Temos boas faculdades e boa matéria-prima, o que aliado aos custos reduzidos que essas empresas têm de ter para se instalar cá, especialmente em ordenados, torna o país muito atrativo. Mas não valorizo a qualidade dos nossos profissionais de Engenharia apenas pela entrada de multinacionais em Portugal, valorizo em igual medida os engenheiros portugueses que por esse mundo fora deixam obra e conseguem alcançar funções que tradicionalmente estão ao nível dos nomes mais sonantes de instituições de ensino.

 

A GRANDE MAIORIA DAS STARTUPS QUE ECLODIRAM NOS RECENTES ANOS TÊM ENERME COMPONENTE INFORMÁTICA, ALGUMA TÊM MUITO SUCESSO, OUTRAS FICAM PELO CAMINHO. COMO AVALIA ESTA VAGA DE ENGENHEIROS EMPREENDEDORES QUE CRIAM STARTUPS?

Os engenheiros, não só no ramo da informática, são normalmente profissionais irreverentes, com algumas bases de gestão e normalmente com boa capacidade de networking. O mundo tornou-se mais pequeno, o conhecimento tornou-se mais acessível, a Engenharia tornou-se mais acessível, especialmente na informática para a qual é preciso fazer pouco investimento para se conseguir criar protótipos. Por outro lado, também há uma espécie de "bolha" em torno de muitas startups pois há casos em que ainda não têm sequer um produto e já valem milhões.

 

QUAL É O SEGREDO PARA SER UM BOM ENGENHEIRO? HÁ SEGREDO?

O gosto pelo engenho, têm de perceber o funcionamento das coisas e conseguir resolver problemas. Não há segredo, é algo natural que temos e que nos dá prazer.

 

A ENGENHARIA ESTÁ NA MODA? PORQUÊ?

Porque as sociedades modernas são insaciáveis e têm uma "urgência" incontrolável de ter soluções para os seus problemas.

 

QUAL ACHA SER OU QUAL DEVERIA SER, O PAPEL DA ORDEM DOS ENGENHEIROS NA VIDA PROFISSIONAIS DOS ENGENHEIROS?

Representar bem os engenheiros, promover as boas práticas de engenharia nas empresas e na sociedade, e assegurar que um engenheiro é um profissional que acrescenta qualidade no desempenho dos atos de Engenharia, nas inúmeras vertentes que existem. Especialmente esta última, é um desafio para a Ordem dos Engenheiros.

 

NOMEIE UM ENGENHEIRO DO NORTE QUE ESTEJA A DESENVOLVER UM TRABALHO QUE APRECIE DENTRO OU FORA DE PORTUGAL.

Engenheiro Sérgio Oliveira, que com outros bons profissionais desenvolve um excelente trabalho, dotando a Farfetch de um nível e qualidade tecnológica notável, ao alcance de poucos.

 

HÁ ENGENHARIA EM TUDO O QUE HÁ?

Há cada vez mais Engenharia em tudo o que há, na parte e no todo, no real e no virtual.

 

 

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Recorde a entrevista da Ana Quintas AQUI

Recorde a entrevista do José Aranha AQUI

 

 

Tags: Engenharia Informática Ordem dos Engenheiros OERN Tecnologia Inovação Casa da Moeda Vitor Castro
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