Acessibilidade (0)
A A A
Youtube - OERN Facebook - OERN Linkedin - OERN
Logo OE
OERN servicos@oern.pt

Temos uma rede política no metro e não uma rede de mobilidade

24 de abril de 2017 | Geral

Especialista na área do planeamento do território, transportes e mobilidade, António Pérez Babo esteve na sede da OERN para comprovar, pela lei dos números, como o crescimento das acessibilidades não se traduz, efetivamente, numa melhor e maior mobilidade de pessoas e mercadorias em território regional.

 



Numa primeira parte, António Pérez Babo analisou os sucessos e, como lhes chamou, “1/2 sucessos” das grandes infraestruturas de acessibilidade no norte de Portugal. À cabeça, e com sinal positivo, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, com todos os acontecimentos que o levam a, este ano, ultrapassar a barreira dos 10 milhões de passageiros: o início da atividade das low costs, e o contrato com a Ryanair, assim como a abertura da linha do metro.


Outra infraestrutura importante, o Porto de Leixões, assistiu a um “crescimento persistente” de 9%/ano entre 2004 e 2014 no transporte de mercadorias, chegando mesmo a operar “acima do que seria a capacidade teórica”, diz o especialista, lembrando a necessidade de “acelerar a construção do novo terminal de contentores”.


No setor de passageiros, o novo terminal “trouxe muito mais gente”, mas a tendência é que, com a proximidade ao aeroporto e a capacidade de crescimento do turn around, os números sejam cada vez mais expressivos.

 

O metro como projeto político e não de transportes


As grandes críticas de António Pérez Babo surgem na avaliação do metro do Porto. Ainda que os índices de mobilidade tenham aumentado, muito graças às novas viagens, mais de 80% das validações são feitas num núcleo central. “Toda a rede que está fora desta nuvem está subaproveitada, com ocupações que não justificam os investimentos que foram feitos”, acusa o especialista.


Sem concordar em absoluto com a expansão da rede em antenas, um erro que considera “catastrófico”, António Pérez Babo lembra que “os centros de emprego não estão nos eixos do metro”. E diz mesmo que o que temos é “uma rede política, não uma rede de mobilidade. O metro é um projeto político, um excelente projeto de Engenharia, mas não é um projeto de planeamento de transportes”.

 

Dependência rodoviária e falta de planeamento


No plano rodoviário, os números comprovam a “dependência extrema do sistema” e, em 2001/2002, a terceira maior taxa de motorização da União Europeia, com o valor mais baixo a registar-se em Portugal em 2012, muito graças ao programa de abate de veículos. Ainda assim, os números já estão, novamente, em crescimento.


A ironia mostra que “a rede rodoviária está na oferta máxima quando a capacidade de produção de viagens próprias em transporte individual atingiu o ponto mais baixo”. Para António Pérez babo, “isto é não planeamento, de todo”.

 

Mas há mais pontos alvo de crítica, como a Circular Regional Exterior do Porto (CREP), que, tendo sido construída para descongestionar a VCI e facilitar as ligações entre o sul e o leste da região, “não desempenha o papel que devia desempenhar”.


Juntando a esta realidade a pressão na Ponte da Arrábida “relativamente aliviada porque houve um decréscimo de 30% no tráfego no eixo Norte-Sul no litoral”, António Pérez Babo questiona “como é que podemos compreender que se esteja a alargar a auto-estrada entre os Carvalhos e Ponte da Arrábida?”.

 

Engenharia ao serviço de boas decisões de governação


Em conclusão, nas palavras do especialista em planeamento e mobilidade, “temos excelência de projetos, alto rigor na execução das obras, cumprimos prazos, temos altos níveis de segurança e de durabilidade das obras, temos a melhor das Engenharias”.


No entanto, perante a dúvida sobre se “a Engenharia contribui de uma forma tão assertiva como devia para estratégias globais melhores e para a integração interdisciplinar”, António Pérez Babo deixou, na OERN, o desafio “para que contribuamos mais para a formatação de soluções e para as boas decisões de governação que depois têm implicação na nossa qualidade de vida”.

2018 © Copyright, Ordem dos Engenheiros Região Norte