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A AMP é um gigante com pés de barro

28 de abril de 2017 | Geral

“A Área Metropolitana do Porto (AMP) é um gigante com pés de barro”. Foi estas as palavras de Emídio Sousa para caracterizar as dificuldades de atuação e influência da zona nas decisões. O presidente do Conselho Metropolitano do Porto (CMP) veio à sede da OERN para apresentar os projetos que deverão integrar um futuro Plano Geral de Mobilidade e Transportes.

 


Emídio Sousa admite algum poder da AMP para fazer opinião, ainda que o orçamento reduzido de 1,8 milhões de euros lhe corte as bases de atuação. No entanto, neste momento, “sinto que o Porto e o Norte estão muito anestesiados” quando do que o país precisava era de “um Norte ativo, liderante”.


“Mesmo as nossas lideranças políticas, quando vão a Lisboa, ficam condicionadas porque, muitas das pessoas que hoje estão em lugares políticos, fazem daquilo uma carreira e isso torna a capacidade reivindicativa muito quartada”, critica o também presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, num claro “espicaçar do orgulho nortenho”, necessário “porque precisamos de refletir nisto”.

 

“Vem aí imenso trabalho para a Engenharia”


A vinda do responsável máximo do CMP à Ordem dos Engenheiros deveu-se à apresentação de alguns projetos que deverão integrar um ainda inexistente Plano Geral de Mobilidade e Transportes na Área Metropolitana do Porto.


“Quando fui eleito e perguntei pelo Plano Geral de Transportes”, confessa Emídio Sousa, “responderam-me ‘não há’. Não há nenhuma reflexão sobre isto, não há um plano, não há articulação. O metro vai ser alargado até Vila D’Este, onde vai haver uma grande estação, mas não há lugar para as pessoas deixarem o carro”.


É a necessidade deste plano que leva o presidente do CMP a garantir que “vem aí imenso trabalho para a Engenharia” e que “dentro de dois/três anos vai haver um boom de obra física muito significativo na AMP”.


Os exemplos desta obra física são vários: a valorização do Rio Douro; a recuperação do corredor do Rio Leça com a construção de um percurso pedonal e ciclável; o projeto das serras do Porto; ou a substituição das luminárias públicas por leds, um campo onde Emídio Sousa defende a criação de um consórcio entre os municípios para apresentação de um projeto candidato ao financiamento do Plano Juncker, que ainda não terá recebido qualquer proposta vinda do norte do país.

 

Ampliações no aeroporto à espera de Lisboa


Mas há mais dentro deste plano. O Conselho Metropolitano do Porto apresenta a reabilitação de edifícios antigos de habitação social para melhoria da eficiência energética; a intervenção na estrada da Circunvalação, um investimento estimado em 58 milhões de euros, e que contempla transporte público num corredor central; a reabilitação da linha ferroviária centenária do Vouga; a ampliação do Metro do Porto; as obras de melhoria da capacidade do Porto de Leixões para receber navios de maior calado; o investimento no Aeroporto Francisco Sá Carneiro – ainda que Emídio Sousa acuse que “ainda estamos à espera que o presidente da ANA nos explique as ampliações, mas parece que está a ser extremamente difícil vir ao Porto”. “Isto é para nós percebermos as dificuldades e o que se passa na nossa região. Esta gente tem mesmo dificuldade em sair de Lisboa”, critica o responsável.

 

Plano de 200 mil euros para que “se possa andar”


Envolvendo todas as estruturas de transportes e mobilidade, para o presidente do CMP, este plano geral é essencial e já está prevista a abertura de um concurso público, com os valores na casa dos 200 mil euros. “Temos que fazer desta uma zona onde se possa andar. Hoje, a mobilidade é absolutamente fundamental”, afirma.


Para Emídio Sousa, é de especial valor estratégico a ligação de todos os municípios ao aeroporto e ao Porto de Leixões sem ter que se recorrer ao carro, por exemplo, as duas portas essenciais de entrada e saída de pessoas e mercadorias, importante para as empresas da região.


No entanto, a acusação do presidente do Conselho Metropolitano do Porto vai certeira às diferenças Porto-Lisboa: “o fisco atua nos nossos concelhos de uma forma completamente destruidora da indústria. Muitas empresas estão a mudar a sua sede para Lisboa porque sabem que são muito menos fiscalizadas”.



No final, o presidente da OERN deixou a certeza de que “é nossa obrigação associarmo-nos”. “Nós na Ordem temos um conhecimento acumulado muito grande. Estou em crer que, com bom senso, será possível que a primeira fase do plano de mobilidade e transportes seja exequível e tenha uma primeira fase com grandes retornos e muito pouco investimento”, disse Joaquim Poças Martins.

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