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Engenharia pioneira na defesa da costa norte

20 de março de 2017 | Geral

José Pimenta Machado aceitou o convite da Região Norte da Ordem dos Engenheiros para vir explicar, perante uma sala cheia, os projetos de maior relevo que têm transformado o litoral norte do país, alguns deles verdadeiras inovações nas soluções de Engenharia utilizadas.

 

Certo de que “o tema do litoral é sempre oportuno e emergente”, o presidente da Administração Regional Hidrográfica do Norte (ARHN), departamento descentralizado da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), deixou claros os números que caracterizam esta zona: 75% da população portuguesa vive em concelhos do litoral, onde se encontram os principais centros urbanos, turísticos e zonas industriais, onde se produz 85% do PIB.
 

Um local de contrastes, onde “temos problemas, vários, desde logo os 67% da faixa costeira expostos a fenómenos erosivos muito intensos, 25% já em erosão com perda de território, e os 14% de linha completamente artificializada com esporões, obras de proteção e portuárias”, lembra José Pimenta Machado, além de “zonas ambientais muito ricas, mas muito sensíveis”.

Para o responsável, a zona apresenta “um território muito diverso, muito complexo, com muitos problemas que importa resolver”, sendo um dos entraves primordiais o facto de haver “muita gente a mandar no litoral e uma grande dificuldade em pôr tantas entidades a falar umas com as outras”.

Planear com flexibilidade e a experiência de todos

José Pimenta Machado trouxe à sessão as diferenças entre os dois Planos de Ordenamento da Orla Costeira, o POOC CE e o mais recente POC CE 2017-2026, em fase de pré discussão pública, com a “proposta técnica fechada até ao final do ano”. O administrador da ARHN admite que este plano é “bem distinto do anterior, mais flexível, mas sem cair na arbitrariedade, concentrado essencialmente na erosão costeira e no risco das alterações climáticas”.


De Caminha a Espinho, o engenheiro ambiental fez o resumo possível das intervenções – terminadas e em curso – na zona, nomeadamente quanto a potenciar a resistência dunar através da intervenção inovadora com geocilindros, ecovias, requalificação da defesa aderente, recuo de apoios de praia e aparcamentos, reordenamento de núcleos piscatórios, recarga de areias, entre outras.


“Temos jeito para explicar às pessoas, elas percebem a necessidade das intervenções mesmo quando se trata de demolir”, acredita José Pimenta Machado, para quem a proximidade é a via mais rápida para colocar as soluções em prática.


“As políticas devem ser feitas de baixo para cima”, afirma, e dá como exemplos as situações em que “confrontámos a ciência com o conhecimento empírico dos pescadores. Eles têm um conhecimento muito próximo da realidade e ajudaram-nos a tomar uma decisão muito mais eficiente. É muito importante ouvir quem conhece bem o desempenho do mar”.


Intervenções mais leves e com resultados eficazes

José Pimenta Machado sublinhou, ainda, a importância do programa COSMO Caminha-Espinho, um sistema integrado de monitorização por videovigilância de galgamentos costeiros, ligados à proteção civil e de monitorização da evolução costeira, “para perceber o recuo da linha de costa e, assim, alavancar a construção”. “Nos fóruns mais científicos era sublinhada a ausência de um acervo de informação sobre o litoral, a partir do qual se pudesse construir soluções mais seguras”, diz o engenheiro.

No final, as contas do plano apresentam um total de 30 intervenções e uma previsão de 760 milhões de euros investidos. Muitas das opções tomadas nas intervenções referidas foram elogiadas durante o período de debate, nomeadamente o recurso a técnicas mais leves.


Engenharia ao serviço de decisões políticas assertivas

Guilherme Lagido, vice presidente da Câmara de Caminha, afirmou mesmo que “há muitas vezes a ideia de que a defesa costeira se faz com intervenções pesadas, mas a maior parte das intervenções aqui realizadas foram extremamente ligeiras, com a preocupação de deixar a natureza funcionar, de não ser intrusivo”, soluções que, acrescenta José Pimenta Machado, fazem do norte pioneiro na sua utilização.

Intervindo, também, na sessão, o presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira enalteceu a iniciativa, esperando mais sessões “para o bem de toda a comunidade, até para ajudar os políticos a tomar decisões. Embora passe muito a ideia de que, porventura, os políticos sabem muito e não sabem. Nós precisamos muito do apoio técnico para tomarmos decisões assertivas”.

Além dos autarcas de Esposende e Caminha, estiveram presentes na sessão o presidente do município de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, Manuel Cardoso, diretor regional de Agricultura e Pescas, José Vieira, presidente da Federação Europeia das Associações Nacionais de Engenharia, vereadores de concelhos litorais, concessionários de praia, e demais interessados.

 

Apresentação Vídeo da Sessão
 




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